Google enfrenta dificuldades para cumprir sua meta de energia livre de carbono em 2030 devido ao crescimento da inteligência artificial

O consumo elétrico do Google cresceu de maneira exponencial nos últimos anos, impulsionado pela expansão de seus centros de dados e o auge da inteligência artificial.

Segundo a MIT Technology Review, essa tendência ameaça o cumprimento da meta anunciada em 2020: operar com energia livre de carbono 24 horas por dia em todos os seus centros até 2030.

Uma meta ambiciosa e difícil de sustentar

O objetivo do Google implica abastecer-se de energia renovável em cada rede onde opera e garantir que essa eletricidade seja gerada no mesmo instante em que é consumida. No entanto, o crescimento acelerado da demanda energética complicou a viabilidade deste plano.

Entre 2020 e 2023, a proporção de energia livre de carbono utilizada em seus centros de dados mal variou: passou de 67% para 66%, o que mostra que a empresa evitou retrocessos, mas ainda está longe de cumprir sua meta no final da década.

Novos acordos energéticos

Para fechar a lacuna, o Google intensificou seus acordos no setor energético com projetos que incluem:

  • Captura e armazenamento de carbono em uma planta de gás natural em Illinois.
  • Reabertura da central nuclear Duane Arnold em Iowa, prevista para 2029.

Projeto em Illinois

O Google acordou adquirir a maior parte da eletricidade de uma nova planta de gás que capturará e armazenará 90% de suas emissões de dióxido de carbono. A decisão gerou controvérsia, já que críticos sustentam que essa tecnologia prolonga a vida útil de infraestruturas fósseis e não elimina totalmente a emissão de gases de efeito estufa nem outros poluentes.

Durante a conferência EmTech MIT, Lucia Tian, responsável por tecnologias energéticas avançadas do Google, explicou que adaptar plantas existentes nem sempre é viável por limitações de espaço ou geologia.

“Queríamos liderar com um projeto que pudesse demonstrar essa tecnologia em grande escala”, afirmou Tian, destacando que a localização escolhida já conta com um poço de Classe VI operacional, adequado para a captura permanente de carbono.

Reabertura nuclear em Iowa

Em paralelo, o Google anunciou uma colaboração com a NextEra Energy para reabrir a central nuclear Duane Arnold, encerrada em Iowa e programada para reiniciar operações em 2029. A eletricidade gerada representa uma das últimas oportunidades nos Estados Unidos para reativar instalações nucleares fechadas.

Tian elogiou também os esforços de reativação de centrais como a de Palisades em Michigan, qualificando as equipes envolvidas como “os verdadeiros heróis da história”.

inteligência artificial
O auge da inteligência artificial duplicou a demanda elétrica de seus centros de dados desde 2020.

Críticas e desafios

As soluções adotadas pelo Google receberam críticas de organizações e especialistas:

  • A captura e armazenamento de carbono pode perpetuar o uso de combustíveis fósseis.
  • A energia nuclear enfrenta desafios regulatórios e técnicos significativos.

Apesar disso, para o Google essas opções representam alternativas viáveis para incrementar o uso de energia livre de carbono e aproximar-se de sua meta de 2030.

Um compromisso que se mantém

Tian reconheceu que operar com energia livre de carbono 24 horas é um objetivo ambicioso, mas insistiu que avançar nessa direção é a única forma de aproximar-se da meta.

MIT Technology Review sublinha que esse enfoque reflete a determinação do Google frente ao crescimento sustentado da demanda elétrica, especialmente em um contexto onde a inteligência artificial e os serviços digitais continuam expandindo-se em grande escala.

O dilema energético e a inteligência artificial

O Google enfrenta um dilema energético: enquanto a IA e os centros de dados duplicam seu consumo elétrico, a companhia busca manter sua liderança em sustentabilidade com projetos de captura de carbono e energia nuclear.

O desafio será demonstrar que essas soluções podem ser efetivas e seguras, sem perpetuar o uso de combustíveis fósseis nem gerar novos riscos ambientais. A meta de 2030 continua em pé, mas o caminho para uma operação 100% livre de carbono se apresenta mais complexo do que a empresa imaginou há apenas cinco anos.

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