Agricultura de precisão: uma parceria entre o Conicet e uma PME tecnológica busca melhorar a agricultura argentina.

Um acordo entre o Conicet e a empresa CNC Intech Argentina, com sede na cidade de 9 de Julio, visa fortalecer a agricultura de precisão no país através do desenvolvimento de tecnologias que melhoram a eficiência no plantio, fertilização e colheita.

O acordo foi definido como uma parceria público-privada para resolver um problema específico do sistema produtivo, conforme explicou o pesquisador do Conicet em Bariloche, Juan Pablo Pascual, especialista em telecomunicações.

A agricultura de precisão é uma estratégia originada nos Estados Unidos que busca otimizar o uso de insumos através da análise detalhada de dados sobre solos e cultivos. GPS, sensores e software permitem aplicar recursos como água, fertilizantes ou sementes no local e momento exatos, reduzindo custos e impactos.

O que está sendo desenvolvido: unidades eletrônicas que “pensam” nas máquinas

O acordo – assinado há sete meses – tem como objetivo o assessoramento científico para validar e melhorar uma unidade de controle eletrônico (ECU) projetada pela Intech, que será aplicada em máquinas como semeadeiras, adubadoras e enfardadoras rotativas (equipamentos que produzem rolos de grama para alimentar o gado).

Essas unidades permitem:

  • Coletar dados durante o processo agrícola
  • Supervisionar e dosar em tempo real de acordo com as condições do terreno
  • Melhorar o desempenho e reduzir o desperdício de insumos
  • Diagnosticar falhas e ajustar parâmetros automaticamente

De Bariloche, Pascual e sua equipe participam em diferentes etapas do desenvolvimento, analisando, por exemplo, a dispersão do fertilizante, erros na medição de parâmetros ou a resposta das máquinas em diferentes condições.

Ciência aplicada e produção nacional

Pascual, formado em Engenharia Eletrônica na Universidade Nacional de La Plata, trabalha atualmente no Departamento de Engenharia em Telecomunicações da Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA), e também é professor no Instituto Balseiro. Após sua passagem pelo setor privado, ele destaca o valor de aplicar conhecimentos científicos em desenvolvimentos que impactem na economia real.

Ele considera que esse tipo de conexão permite ao Estado apoiar as pequenas e médias empresas industriais, dinamizar a inovação e gerar tecnologias exportáveis. De fato, Alfredo Quiroga, presidente da Intech, afirmou que “estamos à altura das empresas multinacionais” e não descarta expandir o projeto para outras máquinas ou mercados.

Precisão que transforma o trabalho agronômico

O impacto desse tipo de tecnologias é duplo:

  • No âmbito industrial, fortalece a produção local de equipamentos agrícolas inteligentes
  • No âmbito agrícola, melhora o processamento de dados, ajusta a dosagem de insumos e otimiza as decisões técnicas de produtores e assessores agronômicos

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