O gado ruminante mundial —vacas, ovelhas e cabras— é responsável por aproximadamente 30% das emissões antropogênicas globais de metano, um gás de efeito estufa que retém o calor 25 vezes mais eficientemente que o CO₂.
Este metano é liberado principalmente através de arroto, respiração e flatulência ruminal, e representa 17% das emissões do sistema alimentar global.
Uma bomba climática silenciosa: o metano ruminal e seu impacto global
O metano gerado pelo gado ruminante equivale a 5% das emissões totais de gases de efeito estufa (GEE) a nível mundial.
Sua liberação está diretamente relacionada com a fermentação digestiva no sistema gastrointestinal desses animais, e seu volume aumenta em paralelo com o consumo global de produtos pecuários.
Dietas com algas: uma inovação alimentar para mitigar emissões
Em 2025, uma equipe de pesquisa liderada pela Estação Experimental del Zaidín (CSIC, Granada), em conjunto com a Universidade de Queen’s (Reino Unido) e o Centro Teagasc (Irlanda), demonstrou que a incorporação de algas marinhas na dieta de ruminantes pode reduzir até 40% as emissões de metano em condições de laboratório.
As espécies analisadas incluem:
- Himanthalia elongata
- Fucus vesiculosus
- Alaria esculenta
- Ascophyllum nodosum
- Asparagopsis taxiformis
- Chondrus crispus
Essas algas foram selecionadas por sua disponibilidade de biomassa, composição bioquímica e origem geográfica, e se destacam por seu alto conteúdo de florotaninos, compostos antioxidantes com efeito inibidor de metano.
Algas uma alternativa conta as emissões do gado
Ensaios in vitro: como medir a digestão e a emissão de gases
Um sistema de incubação simula a fermentação ruminal para avaliar o impacto das algas.
A equipe do Zaidín projetou um protocolo experimental que consiste em:
- Incubar líquido ruminal com dietas enriquecidas com algas
- Simular a fermentação com dióxido de carbono em garrafas de vidro
- Manter a mistura a 39°C em incubadoras
- Medir a produção de gás e analisar a concentração de metano por cromatografia
Este método permite avaliar várias amostras em pouco tempo, facilitando a comparação entre espécies e extratos de algas.
Ajuste de doses e adaptação microbiana: desafios para a aplicação prática
“Se ultrapassarmos 1% de inclusão na dieta, pode afetar a digestão e reduzir o consumo”, adverte David R. Yáñez-Ruiz, pesquisador principal do estudo.
Além disso, ensaios prolongados mostram que os microorganismos do rúmen podem adaptar-se e degradar os compostos antimetano, o que poderia reduzir a eficácia das algas ao longo do tempo.
Próximos passos: estudos in vivo e fermentadores de longo prazo
A equipe planeja avançar para ensaios in vivo com ruminantes, utilizando fermentadores de longa duração para observar:
- Adaptação da microbiota ruminal
- Efeitos sobre a saúde e produtividade animal
- Impacto ambiental real em sistemas pecuários
Além das algas: alho e outros resíduos agroalimentares em estudo
A inclusão de subprodutos como o alho também mostra potencial para reduzir emissões.
Além das algas, estão sendo avaliados resíduos de alho na dieta do cordeiro merino, com resultados preliminares positivos na redução de gases de efeito estufa.



