Inovação revolucionária: cientistas conseguem transformar CO₂ em matéria-prima para plásticos

Cientistas das universidades de Stanford e Northwestern desenvolveram um sistema biológico capaz de transformar CO₂ em produtos químicos valiosos.

O avanço, publicado na Nature Chemical Engineering, permitiria converter este gás de efeito estufa em matéria-prima para a indústria.

O método, denominado ReForm, utiliza cinco passos para processar o dióxido de carbono.

Os pesquisadores aplicaram engenharia genética a moléculas naturais para otimizar a captura e transformação de CO₂ em compostos úteis.

Transformar o CO₂, um desafio urgente para o planeta

Atualmente, os altos níveis de CO₂ atmosférico são uma das principais ameaças às mudanças climáticas e ao meio ambiente.

É que, nas últimas cinco décadas, os níveis de dióxido de carbono no ambiente aumentaram mais de 30%, segundo medições do observatório LOAA no Havaí.

Por isso, transformar a indústria para que reduza ou elimine sua pegada de CO₂ hoje é um desafio essencial que o mundo enfrenta.

Emisiones globales de CO2

“Se queremos abordar este desafio global, precisamos urgentemente de novas vias para a fabricação de produtos com emissões negativas de carbono“, explicou neste sentido Ashty Karim, pesquisador de Northwestern e codiretor do estudo.

É que, hoje, a velocidade da mudança climática preocupa mais do que os níveis absolutos, com o CO₂ como principal responsável.

Frente a este problema aparece o sistema ReForm, o qual se combina com outras tecnologias existentes para criar um ciclo industrial fechado.

Como funciona o ReForm

O sistema ReForm converte primeiro o CO₂ em formiato (HCO₂⁻), uma molécula orgânica que poucos organismos aproveitam eficientemente.

Os cientistas extraíram as enzimas dessas bactérias para usá-las fora dos microorganismos.

“É como abrir o capô de um carro e tirar o motor”, disse Michael Jewett, codiretor de Stanford.

“Depois, podemos usar esse motor para qualquer outra coisa, livres das limitações do carro”, acrescentou.

O processo transforma o formiato em acetil-CoA e, posteriormente, em malato, composto aproveitável pela indústria química. Entre as aplicações destacam-se:

  • Produção de bioeletricidade
  • Fabricação de bioplásticos
  • Materiais com emissões negativas
  • Redução da dependência de combustíveis fósseis
nuevo sistema para transformar el CO2

“ReForm pode utilizar facilmente diversas fontes de carbono, como o formiato, o formaldeído e o metanol”, afirmou Jewett.

A integração de eletroquímica e biologia sintética permite capturar CO₂ do ar e transformá-lo em metanol verde.

Agora, os pesquisadores buscam otimizar a rota metabólica para tornar mais eficiente a transformação do carbono.

É que essas mesmas ferramentas também poderiam desenvolver outros tipos de enzimas.

“Prevemos que as tecnologias híbridas que integram o melhor da química e o melhor da biologia proporcionarão novas direções transformadoras para um futuro eficiente em carbono e energia”, explicou Jewett.

Por isso, Karim projeta múltiplas direções para esta inovação. “Nos dá esperança para um futuro onde poderemos combinar múltiplas tecnologias, biológicas e abióticas, de formas únicas para encontrar novas soluções”, concluiu.

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