A cientista argentina Raquel Chan, pesquisadora sênior do Conicet e diretora do Instituto de Agrobiotecnologia do Litoral, recebeu o Prêmio Internacional L’Oréal-Unesco “Para as Mulheres na Ciência”, um dos prêmios mais prestigiados do mundo. O reconhecimento destacou suas pesquisas sobre genes vegetais capazes de tornar as culturas mais resistentes a secas, inundações, altas temperaturas e outros fenômenos ambientais.
Trajetória científica
Chan estudou Bioquímica na Universidade Hebraica de Jerusalém, fez seu doutorado em Rosario e pós-doutorado na França. Com o tempo, tornou-se referência em agrobiotecnologia na América Latina:
- Publicou mais de 80 pesquisas internacionais.
- Participou do desenvolvimento de 10 patentes.
- Recebeu prêmios como o Konex de Biotecnologia, o Ada Byron e o Bunge e Born em Agrobiotecnologia.
- Foi nomeada pela BBC como uma das dez cientistas mais destacadas da região.
Impacto de suas pesquisas
Junto com sua equipe, Chan identificou mecanismos genéticos que ajudam as plantas a suportar condições climáticas adversas. Esse conhecimento é aplicado em culturas como trigo, milho, arroz e soja, com o objetivo de:
- Melhorar a tolerância ao estresse hídrico.
- Aumentar a produção de alimentos em cenários complexos.
- Desenvolver ferramentas para a agricultura familiar e materiais gratuitos para produtores.
Atualmente, trabalha em projetos relacionados a culturas de menor pegada de carbono e sistemas agrícolas mais sustentáveis.

Culturas resilientes frente às mudanças climáticas
As culturas resistentes são fundamentais para garantir a segurança alimentar em um mundo afetado pela crise climática. Exemplos chave:
- Milheto: cereal que consome menos água e tolera altas temperaturas.
- Quinoa: adaptável a solos salinos, secas e frio extremo.
- Sorgo: muito tolerante à seca e ao calor.
- Tremoço (lupino): melhora a estrutura do solo e requer pouca água.
- Cactos comestíveis: como o nopal, capazes de reter água em secas extremas.
Além disso, a biotecnologia moderna desenvolveu variedades melhoradas de arroz e feijão resistentes a inundações e calor, e até mesmo árvores como o abacate Luna, que otimizam o uso de água.
Importância do prêmio
O prêmio L’Oréal-UNESCO distingue a cada ano cinco cientistas de diferentes regiões. Chan foi escolhida como representante da América Latina e Caribe, consolidando a Argentina como o país latino-americano com o maior número de pesquisadoras premiadas na história do programa.
A história de Raquel Chan demonstra como a ciência aplicada pode transformar a agricultura e oferecer soluções concretas frente às mudanças climáticas.
Suas pesquisas não só fortalecem a segurança alimentar, mas também inspiram uma mudança cultural: deixar de ver limites na natureza e começar a projetar sistemas produtivos mais resilientes, sustentáveis e acessíveis para todos.



