O camalote (Eichhornia crassipes), originário da bacia do Amazonas, reproduz-se rapidamente formando densas camadas sobre a água. Sua proliferação afeta a navegação, reduz a biodiversidade e obstrui a entrada de água em sistemas de irrigação, consumo doméstico e usinas hidrelétricas.
No NEA argentino, as soluções disponíveis até agora têm sido insuficientes: retroescavadeiras da costa ou embarcações artesanais que dispersam fragmentos da planta, gerando mais problemas do que soluções.
A inovação de três estudantes
Diante deste cenário, três estudantes de Engenharia Eletromecânica da Universidade Nacional do Nordeste (UNNE) — Matías Agoltti, Arturo Costilla e Yohans Tolke — apresentaram como Trabalho Final de Graduação uma “Máquina Coletora de Camalotes. Design e Desenvolvimento Otimizado para a Região NEA”.
- O equipamento extrai a vegetação de forma contínua.
- Evita dispersar fragmentos que depois rebrotam.
- Não danifica as margens dos corpos de água.
O projeto foi dirigido pelos engenheiros José Leandro Basterra, Germán Edgardo Camprubí e Marcelo Fabián Larrea, docentes da Faculdade de Engenharia.
Funcionamento do equipamento
A máquina está montada sobre dois flutuadores que lhe dão estabilidade e sustenta uma estrutura com todos os componentes de trabalho. O processo se desenvolve em três etapas:
- Uma esteira com lâminas corta a vegetação e a levanta para o interior.
- O material se acumula em um compartimento.
- Uma segunda esteira descarrega o coletado fora da água.
O sistema hidráulico a pressão regula a velocidade e potência em cada etapa, garantindo precisão e segurança.

Vantagens frente a alternativas existentes
Os autores identificaram três aspectos chave:
- Tamanho e manobrabilidade: pode entrar em lagoas onde as máquinas importadas não operam e cumpre com as dimensões de transporte por estrada.
- Forma de trabalho: extrai a vegetação de forma definitiva, evitando o rebrote.
- Custo acessível: simplifica a construção mecânica sem perder capacidade operacional, alcançando resultados equivalentes a equipamentos de última geração.
Impacto econômico
O projeto inclui uma análise financeira detalhada:
- Investimento inicial: 31.053 dólares.
- Financiamento: empréstimo a cinco anos com parcelas de 10.383 dólares anuais.
- Lucro líquido anual projetado: 26.666 dólares.
- Utilidade acumulada em cinco anos: mais de 133.000 dólares.
- Valor atual líquido: 33.894 dólares (positivo, o que indica geração de valor).
- Taxa interna de retorno: 82%, muito superior aos 30% de referência.
Relevância regional
O design responde às necessidades locais do NEA, onde os municípios não podem acessar equipamentos importados por seu custo e tamanho. Além disso, os componentes são acessíveis no mercado nacional, a manutenção não requer alta especialização e os tempos de inatividade são baixos.
A máquina coletora de camalotes projetada por Agoltti, Costilla e Tolke representa uma solução inovadora e viável para enfrentar uma praga que afeta tanto o ambiente quanto a produção no NEA.
O projeto demonstra como a engenharia aplicada pode oferecer respostas concretas a problemas regionais, combinando eficácia técnica, sustentabilidade ambiental e rentabilidade econômica.



