O Glaciar Perito Moreno poderia se tornar o cenário da Winter Swimming World Cup 2026, um evento internacional de natação extrema que já gera fortes questionamentos por seu impacto ambiental no Parque Nacional Los Glaciares.
A proposta inclui instalar uma piscina flutuante sobre o Lago Argentino, bem em frente à face norte do emblemático gigante de gelo.
Previsto para ser realizado de 2 a 9 de agosto de 2026, o cronograma oficial em El Calafate inclui provas de 25 a 300 metros e uma atividade denominada “Imersão Glaciar”.
Embora seja promovido como uma experiência turística única, a escala do evento acende os alarmes sobre o limite entre o turismo sustentável e o espetáculo massivo em áreas protegidas.
O Lago Argentino, no centro da polêmica
A realização de uma competição com centenas de nadadores e delegações internacionais no Lago Argentino —um dos ecossistemas mais sensíveis do país— implica contaminação humana direta e indireta.
A pressão sobre a zona se traduzirá em resíduos, alteração da água, transporte náutico e a montagem de estruturas temporárias, em um entorno já afetado pela crise climática.
Especialistas e ambientalistas questionam duramente o uso recreativo intensivo de um ambiente tão frágil, alertando sobre a banalização de um ecossistema protegido.
Além disso, a instalação da infraestrutura flutuante e a logística associada alterarão de forma direta a paisagem natural e o equilíbrio biológico do parque.
Leis e regulamentos em jogo
O Parque Nacional Los Glaciares é uma área regulada e declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO. Neste contexto, o evento colide com normativas vigentes:
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A Lei Nacional de Glaciares restringe atividades e infraestrutura que possam se transformar em fontes de contaminação ou afetar ambientes periglaciais.
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A Resolução 13/2002 de Parques Nacionais proíbe explicitamente a navegação esportiva ou recreativa em setores do Lago Argentino.
Embora existam excursões autorizadas sob estritos controles, uma competição internacional com infraestrutura flutuante representa uma escala de intervenção completamente inédita e arriscada.
Um ecossistema afetado pelo aquecimento global
A controvérsia chega no pior momento para o ambiente patagônico. Pesquisas científicas recentes revelam que o Glaciar Perito Moreno perdeu a estabilidade que o caracterizava: contraiu-se cerca de 1,9 quilômetros quadrados de superfície em apenas sete anos e registra reduções de espessura de até oito metros anuais.
Enquanto a ciência alerta sobre o retrocesso glaciar, este megaprojeto coloca um dilema de fundo para a Argentina: se os parques nacionais devem priorizar a conservação ambiental ou se devem se transformar em cenários para o espetáculo massivo de alto impacto.



