O degelo e, portanto, o recuo dos glaciares em Rio Negro atingiu um nível preocupante.
Pesquisadores do Instituto Argentino de Neve, Glaciologia e Ciências Ambientais (IANIGLA) acenderam um alerta sobre este assunto. Os gigantes de gelo da província estão recuando de forma acelerada, o que poderia causar sérias faltas de água em setores-chave.
O fenômeno, atribuído à mudança climática e ao aumento da temperatura global, ameaça não apenas os ecossistemas de montanha, mas também as comunidades que dependem da água do degelo para consumo, produção e irrigação.
Alerta sobre os glaciares de Rio Negro: como o aquecimento global os afetou
De acordo com os estudos apresentados pelo IANIGLA, na região da cordilheira de Rio Negro, foram registradas notáveis reduções no volume dos glaciares durante a última década.
Glaciares em perigo.
Em particular, glaciares localizados em áreas como o Cerro Tronador (limite natural entre Rio Negro e Chubut) mostram uma forte retração e perda de massa.
Esse processo, cada vez mais evidente nas imagens de satélite e no monitoramento de campo, compromete a disponibilidade de água em épocas secas. Os glaciares funcionam como reservas naturais que liberam água progressivamente durante o verão.
O risco hídrico em zonas-chave da província
O recuo glaciar em Rio Negro poderia afetar o fornecimento de água em cidades como Bariloche, além de impactar em atividades produtivas dependentes da irrigação no Alto Valle, onde se concentra a fruticultura.
A isso se somam os efeitos indiretos sobre os campos úmidos de altitude e a biodiversidade associada aos cursos de água de origem glaciar.
Diante desse panorama, os cientistas insistem na necessidade de implementar políticas públicas de mitigação da mudança climática. Busca-se promover o uso responsável da água e proteger os ambientes de alta montanha.
Além disso, reivindicam um maior apoio à Lei de Glaciares, fundamental para regular as atividades humanas em áreas periglaciares e garantir o monitoramento contínuo desses ecossistemas sensíveis.
A situação dos glaciares em Rio Negro é um chamado urgente. Para repensar o modelo de desenvolvimento, reforçar a educação ambiental e priorizar a gestão sustentável da água em um contexto de crescente estresse hídrico.
Glaciares que recuam em todo o mundo. (Foto: CNN)
O 2025 é o Ano Internacional da Conservação dos Glaciares
Para acompanhar a problemática e conscientizar, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou oficialmente 2025 como “Ano Internacional da Conservação dos Glaciares”.
Além disso, proclamaram o 21 de março de cada ano como Dia Mundial dos Glaciares a partir de agora.
O objetivo é sensibilizar o mundo sobre o papel fundamental dos glaciares, da neve e do gelo no sistema climático e no ciclo hidrológico. E também informar sobre a relevância disso nas economias, social e ambientalmente.



