Uma recente operação na Cidade de Mendoza revelou um circuito de comércio ilegal de artesanato feito com restos de animais silvestres protegidos. No estande inspecionado foram encontradas garras, bicos, dentes, patas e ossos usados para fabricar joias e objetos decorativos, muitos provenientes do Brasil. A intervenção, coordenada entre o Departamento de Fauna Silvestre e a Polícia Rural, permitiu a apreensão de todas as peças e deixou o infrator à disposição da Justiça.
O procedimento foi desencadeado graças a denúncias de visitantes e membros de uma fundação de proteção animal. No local foram encontrados restos de espécies nativas e exóticas, como tucanos, jacarés, veados-campeiros, emas, veados, tubarões e peixes-espada. Muitas delas são protegidas por leis nacionais e internacionais devido ao seu valor ecológico e ao risco que enfrentam devido ao tráfico ilegal.
Em Mendoza, embora a extração direta da fauna não seja comum, a província serve como corredor de trânsito para outras regiões e países. Na última década, mais de 16.000 animais foram resgatados do comércio ilegal, incluindo aves canoras, mamíferos e répteis. Esse fenômeno não apenas ameaça a biodiversidade, mas também causa desequilíbrios ecológicos e expõe a população a doenças zoonóticas.
A venda de artesanato com partes de animais é apenas uma das faces visíveis dessa rede criminosa, alimentada pelo turismo e pela falta de controle em feiras e mercados. Peças de taxidermia, colares com dentes ou penas, peles transformadas em bolsas e entalhes em osso ou chifre são produtos que escondem uma cadeia de sofrimento animal e degradação ambiental.

O dano invisível por trás de uma “lembrança” turística
O mercado de artesanato ilegal incentiva a caça furtiva e a captura indiscriminada. Cada objeto vendido representa não apenas a morte de um animal, mas também a perda de indivíduos reprodutores chave para manter o equilíbrio de suas populações. O desaparecimento de certas espécies altera as cadeias alimentares e os processos naturais como a polinização ou o controle de pragas.
Além disso, muitos desses animais sofrem ferimentos irreversíveis antes de morrer. Aqueles que são capturados vivos, por outro lado, podem enfrentar anos de cativeiro em condições precárias, sem chances de retornar ao seu habitat. O dano psicológico e físico que sofrem os torna irreversíveis para a vida selvagem.
O risco sanitário também é elevado. O contato com restos animais não tratados, peles e penas pode transmitir doenças perigosas, algumas com potencial de se espalhar em larga escala. Esse aspecto, muitas vezes ignorado, torna a compra desses produtos uma ameaça silenciosa para as comunidades.

Outras formas de praticar um ecoturismo responsável
O turismo sustentável oferece alternativas para desfrutar da natureza sem contribuir para o tráfico de fauna. Visitas a reservas naturais, safáris fotográficos e caminhadas guiadas por guardas-parques permitem conhecer a biodiversidade em seu ambiente, promovendo seu cuidado. Participar de programas de observação de aves ou excursões educativas também ajuda a valorizar a fauna viva, em vez de vê-la como um troféu.
Apoiar artesãos que utilizam materiais reciclados ou de origem vegetal é outra maneira de gerar impacto positivo. Peças feitas com fibras, sementes, madeiras certificadas ou tingimentos naturais não são apenas seguras, mas também preservam técnicas culturais locais.
Por fim, se informar antes de comprar é fundamental. Perguntar sobre a origem de um produto, rejeitar qualquer objeto com partes de animais e denunciar vendas suspeitas são ações concretas que cada visitante pode tomar para deter essa prática. Dessa forma, o turismo deixa de ser cúmplice e se torna um aliado na defesa da biodiversidade.



