O Senado da província de Buenos Aires analisa um projeto de “Lei de Solos“ que levantou polêmica entre os produtores agropecuários.
O objetivo deste é declarar de “interesse público” a proteção de solos e água destinados à produção agropecuária e florestal no território de Buenos Aires.
Para isso, propõe-se estabelecer um “cuidado integral do solo” e da água de uso agropecuário ou florestal para manter e melhorar sua capacidade produtiva.
A iniciativa é impulsionada pelo Colégio de Engenheiros Agrônomos e Florestais de Buenos Aires (Ciafba) e, por enquanto, não foi tratada na Legislatura de Buenos Aires.
No entanto, foi exposta na Comissão de Assuntos Agrários do Senado provincial, de onde deveria avançar para a Câmara Alta.

O que propõe o projeto de “Lei de Solos” de Buenos Aires
O projeto é destinado a “todas as pessoas físicas ou jurídicas que realizem produção agropecuária e/ou florestal” na província de Buenos Aires.
Em seu artigo 2, este propõe “obrigar” esses sujeitos a “colaborar com o cuidado dos solos” e da água através das ações necessárias para garantir um uso e manejo adequado.
Além disso, a Lei de Solos proíbe utilizar para a produção aqueles solos não aptos ou em estado de degradação até sua recuperação.
O objetivo declarado é preservar os recursos para as gerações futuras e para que continuem sendo funcionais para:
- a segurança alimentar;
- a mitigação das mudanças climáticas;
- a geração de divisas.
A norma contempla a criação de Distritos de Cuidado do Solo e Água.
Lá, o Ministério de Desenvolvimento Agrário de PBA —como autoridade de aplicação— definiria características agroambientais segundo a susceptibilidade e grau de degradação de cada zona.
Todos os produtores, proprietários ou arrendatários, deveriam elaborar planos de uso e manejo obrigatórios a cada quatro anos.
Esses documentos requereriam assinatura de um profissional registrado, contemplariam um prazo mínimo de quatro campanhas agrícolas e deveriam ajustar-se ao catálogo oficial de práticas aprovado pelo Estado.
O projeto prevê também um sistema dual de benefícios e infrações.

Os produtores que cumprirem terão acesso a deduções fiscais, enquanto aqueles que não cumprirem enfrentarão multas, a exclusão de programas estatais e até mesmo intervenção administrativa.
Também se busca criar um Fundo Provincial financiado com 0,08% do orçamento anual de Buenos Aires, mais o produzido das multas aplicadas, legados e doações.
Este fundo administraria recursos destinados à implementação da lei.
Polêmica pela “Lei de Solos” que propõem em Buenos Aires: as queixas de diferentes entidades
A Confederação de Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap) manifestou sua oposição frontal.
“Desde a Carbap manifestamos nosso repúdio ao projeto de Lei de Solos” realizado pelo Ciafba, porque avança sobre a propriedade privada, criticaram.
Segundo a entidade, a lei “imporia controles, sanções e burocracia que nada acrescentaria ao cuidado real do recurso“.
Carbap identificou dez pontos críticos. Entre eles, a definição de “solos aptos” por parte do Estado, cujos critérios oficiais poderiam deixar terras improdutivas.
Também questionou a obrigatoriedade de práticas definidas pelo Estado e a criação de consórcios forçados que obrigariam produtores a integrar-se a estruturas coletivas.
A entidade alertou sobre as “faculdades muito amplas” concedidas à autoridade de aplicação “para decidir, controlar e sancionar, concentrando um poder que na prática pode resultar em intervenções discricionárias“.
A Câmara Argentina de Imobiliárias Rurais (CAIR), por sua vez, também emitiu uma queixa.
“Ninguém pode se sub-rogar o direito de legislar sobre o bom uso do solo, subestimando as forças do campo e dos produtores”, disseram.
O debate na Legislatura de Buenos Aires está apenas começando, com reuniões previstas nas próximas semanas sobre uma iniciativa que divide posições.



