A Comunidade Andina lança um plano contra o desmatamento ilegal na Amazônia, em resposta à crescente problemática do tráfico ilícito de madeira, que se compara em escala global com o narcotráfico e o comércio ilegal de animais.
Em uma reunião chave em Lima, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, junto ao Parlamento Andino e organizações internacionais, desenharam uma estratégia que supera os limites nacionais para abordar um problema que transcende fronteiras.
Os estudos apresentados pela Comunidade Andina indicam que entre 15% e 30% da madeira no mercado global provém de fontes ilegais.
Esse percentual pode alcançar até 90% em regiões tropicais, o que gera um impacto ambiental e distorce a economia de maneira significativa, afetando as comunidades locais e a sustentabilidade das florestas.
O desmatamento ilegal na Amazônia não é apenas uma ameaça ecológica, mas também apoia uma economia criminosa transnacional.
Através da lavagem de dinheiro, do tráfico de vida selvagem e do uso de criptomoedas, essa atividade se converte em um negócio ilícito sofisticado. Em consequência, a Comunidade Andina reforça medidas para combater essa prática.
O impacto econômico é enorme: a extração ilegal de madeira reduz os preços no mercado internacional, prejudicando os produtores sustentáveis e desorganizando as cadeias de suprimento.
Segundo as Nações Unidas e a Interpol, esses delitos geram anualmente entre 50.000 e 150.000 milhões de dólares, situando-se entre os mais lucrativos do mundo.
Com a intenção de unificar esforços, a Comunidade Andina busca consolidar os marcos legais desses quatro países em uma estratégia regional.
A Comunidade Andina
Nesse contexto, propõe-se criar um Comitê Andino de Autoridades Florestais, encarregado de coordenar políticas, estabelecer padrões técnicos e garantir o cumprimento de decisões comuns.
Inovações tecnológicas desempenham um papel crucial. A utilização de inteligência artificial, análise de madeira e sistemas de rastreabilidade digital demonstrou eficácia na redução do comércio ilegal, como se viu no Brasil e na Indonésia.
O desafio de implementar leis eficazes persiste. Frequentemente, as normativas não são aplicadas adequadamente, por isso a Comunidade Andina enfatiza em passar da teoria à prática efetiva, baseando-se em ferramentas como a Decisão 922.
Segundo o secretário-geral da CAN, Gonzalo Gutiérrez, a luta contra o desmatamento ilegal é uma questão não apenas ambiental, mas também estrutural, requerendo a cooperação entre países para enfrentar redes criminosas globais.



