Um projeto imobiliário impulsionado pela empresa CAPSA e gerido junto ao município acendeu um forte debate em Bariloche sobre o futuro do Cerro Catedral. A iniciativa propõe um desenvolvimento hoteleiro dentro da área concessionada do centro de montanha.
No entanto, diversas instituições profissionais e atores locais questionam o verdadeiro alcance do plano. Segundo alertam, a proposta poderia resultar em um processo de urbanização encoberta em uma zona considerada estratégica para o patrimônio público.
O foco do conflito se concentra em aproximadamente 80 hectares do cerro que, segundo denúncias de especialistas, poderiam ser destinados à venda de lotes privados sob a figura de empreendimento turístico. Além disso, a discussão não envolve apenas questões econômicas ou urbanísticas. Também abre um debate mais amplo sobre a proteção de áreas naturais e o futuro do principal polo turístico da região.
Em consequência, diferentes organizações e profissionais reivindicam maior transparência, estudos técnicos e espaços de participação cidadã antes de avançar com qualquer intervenção.

Questionamentos pelo possível loteamento em uma zona sensível
Um dos principais questionamentos aponta que o projeto se apresenta oficialmente como um desenvolvimento hoteleiro. No entanto, especialistas sustentam que poderia habilitar a subdivisão e venda de terrenos na zona.
Segundo essas críticas, a iniciativa implicaria o loteamento de terras que atualmente estão catalogadas como “Solo Não Urbanizável” dentro do Plano Estratégico local. Esta classificação estabelece restrições para preservar áreas de alto valor ambiental e paisagístico.
Além disso, a discussão também inclui o impacto econômico que poderia gerar a operação. Alguns setores apontam que o valor previsto para a venda de terrenos seria consideravelmente menor ao preço de mercado na base do cerro.
Essa diferença de valores gera preocupação por uma possível perda econômica significativa para a cidade. Ao mesmo tempo, adverte-se que a mudança de uso do solo poderia afetar o desenvolvimento turístico sustentável da área. Por essas razões, diferentes atores locais solicitam uma revisão integral do projeto antes de qualquer decisão definitiva.
Normativas que protegem as áreas do Cerro Catedral
O Cerro Catedral faz parte de um sistema de terras públicas que possui regulamentações específicas dentro da normativa municipal de Bariloche. Essas normas buscam preservar o caráter estratégico da área para o desenvolvimento turístico e ambiental da região.
Entre as disposições mais relevantes encontra-se a Carta Orgânica Municipal, que estabelece o caráter inalienável dessas terras. Isso significa que fazem parte do patrimônio público e não podem ser vendidas nem transferidas a privados.
Além disso, o Plano Estratégico da cidade identifica setores do cerro como “Solo Não Urbanizável”. Esta categoria limita a possibilidade de construir desenvolvimentos imobiliários para evitar a degradação da paisagem natural.
Essas regulamentações buscam proteger ecossistemas de montanha que cumprem funções ecológicas chave, como a conservação da biodiversidade e a regulação de recursos hídricos. Por isso, qualquer projeto na área deve ajustar-se estritamente a essas normas e contar com avaliações ambientais rigorosas.

Reclamações por estudos ambientais e participação cidadã
Outra das preocupações apontadas por especialistas é a falta de estudos integrais sobre o impacto do projeto. Em particular, questiona-se a ausência de avaliações ambientais, sociais e econômicas prévias.
O Cerro Catedral é considerado o principal motor turístico de Bariloche. Devido a isso, qualquer intervenção na área pode gerar efeitos diretos sobre a economia regional e o equilíbrio do ecossistema de montanha.
Além disso, diferentes organizações ressaltam que o processo deveria incluir mecanismos de participação pública. O planejamento territorial de espaços naturais estratégicos costuma requerer debates abertos e consultas com a comunidade.
Também foi apontado que alguns passos administrativos previstos no planejamento urbano não teriam sido cumpridos completamente. Entre eles, a convocação ao Conselho de Planejamento Estratégico para analisar a proposta.
Neste contexto, setores profissionais e organizações locais solicitaram suspender o tratamento do projeto até contar com a informação técnica necessária. O objetivo é garantir que qualquer decisão respeite as normativas vigentes e priorize a proteção ambiental do Cerro Catedral.



