O navio chinês Lu Qing Yuan Yu 205, pertencente a uma frota subsidiada pelo Estado chinês, foi novamente detectado realizando manobras compatíveis com tarefas de prospecção dentro da Plataforma Continental Argentina, uma área onde o país exerce direitos soberanos exclusivos.
A denúncia foi impulsionada pelo especialista Milko Schvartzman e o Círculo de Políticas Ambientais, que apontam que o barco repete em 2025 os mesmos padrões de navegação registrados em 2022, o que reforça as suspeitas de atividades científicas não autorizadas.
Manobras suspeitas e antecedentes
O caso reabre o debate sobre a vigilância no Atlântico Sul, a falta de informação oficial e os antecedentes conflitantes da frota chinesa na região.
Os registros mostram trajetórias lentas, retilíneas e sistemáticas, idênticas às utilizadas em estudos biológicos ou geológicos. Segundo um artigo de ArgenPorts, na primeira detecção de 2022 o Círculo de Políticas Ambientais analisou dados satelitais de Global Fishing Watch e concluiu que o navio havia coberto milhares de quilômetros quadrados sobre a plataforma argentina, em manobras que excediam a atividade pesqueira habitual.
Esse relatório alertou sobre a possível realização de trabalhos científicos sem autorização do Estado argentino, requisito obrigatório na Plataforma Continental. Com o retorno do mesmo padrão de navegação em 2025, as suspeitas se intensificam.
Perguntas sobre soberania e legalidade
Schvartzman, responsável pelo programa de conservação e pesca do Círculo de Políticas Ambientais, levantou questões chave:
“Quem autorizou um pesqueiro chinês (Lu Qing Yuan Yu 205) a prospectar a Plataforma Continental Argentina? Em 2022 o detectamos mapeando; em 2025, novamente mais ao norte. É legal? E a soberania? Foram pedidas explicações à Embaixada da China?”.
A Plataforma Continental Argentina, ampliada e reconhecida pela ONU, concede ao país direitos soberanos sobre a exploração e exploração de recursos naturais. Nenhum navio estrangeiro pode realizar estudos sem autorização prévia.
No entanto, até agora não foram registradas comunicações públicas de organismos oficiais sobre a atividade do navio. Permanecem questões em aberto: houve uma reclamação formal à Embaixada da China? Foram ativados mecanismos de controle do Ministério das Relações Exteriores ou da Guarda Costeira? Existe alguma permissão concedida que não tenha sido informada?

Histórico problemático da frota chinesa
O comportamento do Lu Qing Yuan Yu 205 soma-se a um histórico conflituoso da frota chinesa no Atlântico Sul, marcada por:
- Pesca Ilegal, Não Declarada e Não Regulamentada (INDNR).
- Capturas de espécies protegidas.
- Graves violações trabalhistas em navios subsidiados.
Para Schvartzman e organizações ambientais, permitir que um navio com esse perfil realize tarefas supostamente científicas sem controle local implica um risco direto para a defesa da soberania e a proteção dos recursos estratégicos.
Reclamações por maior vigilância e pressão diplomática
A nova detecção do Lu Qing Yuan Yu 205 reacendeu os pedidos para:
- Fortalecer a vigilância satelital.
- Implementar um monitoramento integrado entre organismos argentinos.
- Aumentar o nível de pressão diplomática sobre frotas estrangeiras.
“Enquanto isso, o episódio volta a expor a fragilidade do controle em uma zona chave para a pesca, a biodiversidade e o futuro energético da Argentina”, conclui o relatório de ArgenPorts.
O caso do Lu Qing Yuan Yu 205 reflete a crescente tensão entre a exploração de recursos marítimos e a defesa da soberania argentina no Atlântico Sul.
A repetição de manobras suspeitas por parte da frota chinesa evidencia a necessidade urgente de reforçar os mecanismos de controle, transparência e diplomacia internacional para proteger os recursos estratégicos e garantir a segurança ambiental e econômica do país.



