Este bairro de Tandil está há anos sem água potável e exige uma solução do município para não consumir água contaminada

Os moradores do bairro Tarraubella, em Tandil, vivem em crise há anos, pois vivem sem água potável há anos.

As famílias do planalto enfrentam todo verão a mesma crise: conexões precárias que deixam suas casas sem fornecimento durante o dia.

Uma análise da Faculdade de Ciências Veterinárias da UNICEN detectou que mais de 80 por cento das amostras não são adequadas para consumo devido à contaminação fecal recente.

Diante desta situação crítica, os residentes apresentaram ao Município o pedido de viabilidade para que a Província avance com as obras de infraestrutura.

Cerca de 47 localidades de Santa Fe apresentam níveis críticos de arsênico na água potável. Foto: Pixabay.

Verão sem água potável e com conexões deficientes

As famílias que vivem na área adjacente às torres que deram nome ao bairro acessam a água através de uma conexão precária.

“12 casas de uma mesma mangueira”, segundo relataram os moradores ao El Eco de Tandil.

As mangueiras que conectam à rede “formam uma teia de aranha” que costumam passar muito perto de fossas sépticas.

Esta situação gera um risco sanitário evidente para as famílias que aguardam uma solução há anos.

“Agora não há água, diretamente. Durante o dia não há, deve-se cortar por volta das 9. E vem à noite quando estamos dormindo”, contou Damián, que vive com sua família no planalto. Para os dias de Ano Novo já estavam há uma semana e meia sem água potável.

O drama diário de abastecer-se em Tarraubella, Tandil

Os moradores desenvolveram estratégias de sobrevivência para enfrentar a falta de fornecimento:

  • Deixam latas e torneiras abertas durante a noite para coletar água
  • Carregam baldes para encher termos e poder tomar banho
  • Guardam garrafas na geladeira para ter água disponível
  • Compram galões de 20 litros para consumo
  • Fervem a água e adicionam água sanitária para potabilizá-la

“Carregamos dois baldes para encher o termo para tomar banho. E colocamos garrafas na geladeira”, acrescentaram Mariana, Romina e Natalia, que residem há mais de uma década no local.

O reclamo pelo acesso ao serviço remonta pelo menos desde sua chegada ao bairro.

“Fomos a Desenvolvimento Social em Del Valle, falamos com as meninas de lá, mas não tivemos resposta”, lamentaram as moradoras.

Água potável Tarraubella, Tandil. (EL ECO DE TANDIL)
Água potável Tarraubella, Tandil. (EL ECO DE TANDIL)

Contaminação confirmada e risco sanitário

O estudo de Veterinárias foi contundente: a água que utilizam as famílias não é potável.

“A água passa por muitos lugares, pelos poços, e por lugares onde há animais“, destacaram os moradores.

Desde Veterinárias apontaram que parte da problemática se deve ao fato de as mangueiras não estarem elevadas do nível do solo e muitas contarem com infiltrações.

Parte das famílias recorrem à compra de galões após conhecerem o resultado do estudo.

“Temos que fervê-la e nos deram alguns conta-gotas“, destacaram os moradores, que através da Mesa de Bairro tiveram acesso a uma palestra sobre tratamento de água potável.

“Eu, por exemplo, compro galão, quatro ou cinco galões de 20 litros. Mas para cozinhar sim, eu fervo com duas gotinhas de água sanitária para cada litro”, contou outra moradora do bairro.

A solicitação ao Município busca que se conceda a viabilidade técnica para que a Província destine fundos para as conexões intradomiciliares e financie a extensão da rede.

As obras consistiriam em uma extensão da rede já existente na área das torres.

A preocupação dos moradores não é apenas pelo fornecimento para consumo, mas pela água que utilizam de forma habitual para refrescar-se em pleno verão.

A paisagem do planalto de Tarraubella mostra crianças brincando em piscinas de lona com água que pode estar contaminada e não é potável.

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