A indústria global da moda rápida gera mais de 100 bilhões de dólares anuais, e sua presença é especialmente forte na Europa, onde os consumidores destinam a maior parte de seu orçamento em roupas a esse tipo de produtos.
Um estudo recente publicado pela Kaiia analisou o comportamento de compra em vários países, revelando o domínio absoluto da moda rápida nos mercados têxteis europeus.
Indicadores-chave: buscas online, receitas e participação de mercado
A pesquisa considerou variáveis como:
- Volume de buscas online por cada 100.000 habitantes
- Receitas totais do mercado têxtil
- Receitas geradas pela moda rápida
- Percentagem de participação da moda rápida no mercado têxtil total
Os países foram classificados de acordo com a proporção do mercado controlada por varejistas de moda rápida, revelando uma tendência dominante na Europa ocidental.
Ranking de consumo: Espanha, Reino Unido e Bélgica nos primeiros lugares
Shein lidera o interesse online em vários países, superando marcas locais como Zara e H&M.
| País | Quota de moda rápida | Gasto em moda rápida | Marca mais buscada |
|---|---|---|---|
| Espanha | 91,5 % | €27.400 milhões | Shein |
| Reino Unido | 88,5 % | €73.400 milhões | Shein |
| Bélgica | 86,1 % | €9.000 milhões | Shein |
| Alemanha | 85,1 % | €61.800 milhões | Shein |
| França | 84,1 % | €33.600 milhões | Shein |
| Áustria | 83,1 % | €8.900 milhões | H&M |
| Polônia | 74,8 % | €12.300 milhões | Variado |
| Países Baixos | 74,7 % | €15.600 milhões | H&M |
| Turquia | 70,0 % | €12.800 milhões | Menor navegação |
| Índia | 49,3 % | €50.000 milhões | Têxteis tradicionais |
Shein é uma das marcas mais buscadas na moda rápida</caption]
Índia: menor quota, mas maior volume absoluto fora da Europa
Com uma economia têxtil avaliada em mais de €101.400 milhões, a Índia representa o maior mercado de moda rápida fora da Europa, apesar de sua quota de mercado ser menor.
A preferência cultural por têxteis tradicionais modera o avanço dos varejistas globais, embora o volume de receitas continue sendo significativo.
Contradições entre sustentabilidade e consumo real
“A quota de 91 % na Espanha demonstra o domínio absoluto dos varejistas de moda rápida”, destaca o porta-voz da Kaiia. “O mais surpreendente é a contradição entre a defesa pública da sustentabilidade e o comportamento real do consumidor“.
Apesar das campanhas de conscientização ambiental, os dados mostram que os consumidores europeus não modificaram seus hábitos de compra em favor de opções mais sustentáveis.
O interesse online por marcas como Shein supera até mesmo gigantes locais como Zara, refletindo uma preferência por preços baixos e alta rotatividade, acima de critérios éticos ou ambientais.
Reflexões para o futuro do consumo responsável
Como fechar a lacuna entre consciência ambiental e decisões de compra? O estudo apresenta desafios para as políticas públicas, as marcas e os consumidores:
- Educar sobre o impacto ambiental da moda rápida
- Promover alternativas locais e sustentáveis
- Reforçar a coerência entre discurso ambiental e comportamento de consumo



