A desflorestação ilegal na Argentina não pára. Nos primeiros seis meses de 2025, a Greenpeace identificou que mais de 31.000 hectares de floresta nativa foram destruídas em Santiago del Estero e Chaco, o equivalente a uma vez e meia a cidade de Buenos Aires.
A organização ambiental denunciou que, apesar dos compromissos internacionais assumidos pelo país, a destruição de florestas continua a ser uma prática comum e muitas vezes encoberta pelos próprios governos provinciais.
O monitoramento via satélite mostrou que Santiago del Estero foi a província mais afetada, com mais de 22.000 hectares desmatados, seguida por Chaco, onde a cifra ultrapassou as 8.600 hectares, mesmo sob uma medida judicial que proibia os desmatamentos.
As multas atuais não se mostram eficazes como ferramenta dissuasória. Enquanto isso, o prejuízo ao meio ambiente se intensifica, com consequências que se estendem muito além do terreno perdido.
Uma das consequências pode ser a desflorestação.
Desmatamentos e cumplicidade estatal
Segundo a Greenpeace, em Santiago del Estero continuam a ser autorizados desmatamentos em áreas protegidas pela Lei Nacional de Florestas. Em Chaco, apesar de uma decisão judicial que suspendeu os licenciamentos, a fiscalização mostra-se fraca ou inexistente.
Este comportamento não só coloca em xeque a biodiversidade local, mas também viola os compromissos assumidos pela Argentina, como o objetivo de desflorestação zero até 2030 acordado na Cúpula de Glasgow.
Além disso, o desmatamento nem sempre responde a necessidades sociais, muitas vezes beneficiando interesses privados relacionados com a expansão da fronteira agropecuária ou a especulação da terra.
A falta de sanções penais reforça a impunidade: os responsáveis consideram as multas como um custo adicional nos negócios. Sem um quadro legal mais rigoroso, a desflorestação continuará a erodir os ecossistemas mais frágeis do país.
Consequências ambientais da desflorestação
Os desmatamentos geram um impacto ambiental profundo e, em muitos casos, irreversível. A perda de cobertura florestal expõe os solos a processos de erosão, favorecendo a desertificação e reduzindo a capacidade de retenção de água.
A desaparição de florestas implica também na perda de habitats essenciais para numerosas espécies animais e vegetais. Algumas delas, já em perigo, poderiam extinguir-se por não se conseguirem adaptar à nova realidade ambiental.
Além disso, as florestas atuam como reguladores climáticos, absorvendo carbono e estabilizando as temperaturas. A sua destruição contribui diretamente para a mudança climática, agravando fenómenos como secas prolongadas e inundações intensas.
Também são afetados os recursos de comunidades indígenas e camponesas, que dependem da floresta para obter alimentos, medicamentos naturais e madeira. A desflorestação forçada implica, muitas vezes, o seu deslocamento ou marginalização.
Desflorestação para a construção da autoestrada
Uma campanha que salva vidas
A campanha “Vote pelos Bosques”, impulsionada pela Greenpeace, propõe que tanto os desmatamentos ilegais como os incêndios florestais intencionais sejam tipificados como crimes penais. Mais de 267.000 pessoas já aderiram à iniciativa.
A proteção da floresta nativa não é apenas uma responsabilidade ambiental, mas também uma medida urgente de saúde pública, justiça social e defesa da vida. Preservá-la é defender um equilíbrio que beneficia todos os habitantes do país.
Sem sanções efetivas, nem controlos reais, a desflorestação continuará a avançar sobre os últimos pulmões verdes do norte argentino. A urgência de agir é agora, antes que seja tarde demais.



