Governo argentino rejeita classificação de risco ambiental dada pela União Europeia, apesar da continuidade do desmatamento.

O Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Agricultura rejeitaram a decisão da União Europeia (UE) de incluir a Argentina na lista de países com “risco padrão ou médio” de desmatamento. Segundo o comunicado assinado por ambos os órgãos do governo, a Argentina deve ser considerada um país de “baixo risco”.

A União Europeia fez essa classificação no âmbito do regulamento livre de desmatamento, que implica a proibição da entrada de produtos provenientes de áreas desmatadas nos últimos cinco anos. Essa medida entrará em vigor em 1 de janeiro de 2026.

Apesar da Lei de Florestas, a Argentina continua perdendo em média 200 mil hectares de florestas por ano devido ao desmatamento. Foto: Martin Katz – Greenpeace Argentina

Classificação de risco de desmatamento em debate

Para o governo, essa classificação poderia significar obstáculos para a comercialização de soja, do setor pecuário e do setor florestal. Segundo a Reuters, as empresas dos países de alto e médio risco terão que demonstrar quando os produtos foram gerados e fornecer informações verificáveis de que não provêm de terras desmatadas.

Hernán Giardini, coordenador de Florestas da Greenpeace Argentina, considera que o regulamento de desmatamento estabelecido pela UE é uma ferramenta interessante para tentar reduzir o desmatamento.

“Não vai impedir que o desmatamento pare no país, porque parte da produção é destinada ao consumo local e parte vai para a Ásia. Mas é uma maneira de dificultar a entrada no mercado europeu para aqueles que fazem negócios às custas das florestas”, disse ao NoticiasAmbientales.com

No comunicado, o governo argentino solicita que a UE reconsidere a decisão. Argumenta que, anteriormente, apresentou um relatório detalhado sobre a situação das cadeias produtivas e dos bens. Além disso, deixou claro sua crítica à próxima aplicação do Regulamento de Desmatamento, considerando que esta norma tem “um enfoque unilateral e representa uma barreira injustificada ao comércio internacional”.

O setor empresarial também se pronunciou sobre a classificação. A Câmara da Indústria de Óleo da Argentina (CIARA) considerou essa avaliação injustificada. De acordo com esse sindicato, existem “estudos recentes que demonstram que o risco de desmatamento em nosso país é desprezível”.

A soja, o setor pecuário e o setor florestal são três das principais atividades comerciais ligadas ao desmatamento na Argentina. Foto: Greenpeace Argentina

Argentina continua com altos níveis de desmatamento

Por sua vez, Giardini considera que não há razões para que a Argentina seja considerada um país de Baixo Risco de desmatamento, como solicitado pelo governo. “A Lei de Florestas é sistematicamente violada, continuamos perdendo em média 200 mil hectares de florestas por ano. Levando em conta esses níveis, a Argentina poderia até estar em Risco Alto. Uma parte significativa do que é produzido lá acaba sendo destinada à Europa”, afirmou o ativista.

Segundo dados do Global Forest Watch, a Argentina está entre os 15 países com maior desmatamento no mundo. Greenpeace informou que no ano passado somente em quatro províncias (Salta, Santiago del Estero, Chaco e Formosa) foram perdidos 150 mil hectares devido ao desmatamento.

Os países considerados de alto risco de desmatamento pela UE são Bielorrússia, Coreia do Norte, Mianmar e Rússia. Entre os países considerados de baixo risco, estão os 27 membros da UE, Chile, Uruguai, Estados Unidos, China, entre outros. Enquanto países como Brasil, Peru, Colômbia, México estão na mesma faixa intermediária da Argentina.

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