Grécia protege seus mares e dá um passo histórico: o país proíbe a pesca de arrasto e cria novas reservas.

Numa decisão sem precedentes, Grécia anunciou a criação de duas grandes zonas marinhas protegidas, localizadas no mar Jônico e nas Cíclades Meridionais. A medida torna o país o primeiro da Europa a proibir totalmente a pesca de arrasto de fundo em suas áreas marinhas protegidas.

Essa prática, considerada altamente destrutiva para os ecossistemas submarinos, será gradualmente eliminada até 2030. O anúncio está alinhado com uma promessa feita na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, realizada na França.

As novas reservas marinhas não apenas ampliarão a superfície oceânica sob proteção, mas também marcarão uma mudança de paradigma na gestão do mar Mediterrâneo. As áreas selecionadas concentram uma importante biodiversidade e são cruciais para a reprodução de espécies.

Com mais de 13.600 quilômetros de costa e centenas de ilhas, a Grécia assume um papel central na conservação marinha na Europa. A estratégia busca transformar essas áreas em modelos sustentáveis que garantam o equilíbrio ecológico e a atividade econômica responsável.

Pesca de arrasto
Pesca de arrasto

Um modelo para a região

Dessa forma, a Grécia se une a outros países como Brasil e Espanha, que também anunciaram novas reservas marinhas e medidas restritivas contra a pesca de arrasto durante a conferência internacional. O objetivo comum é alcançar 30% de proteção marinha global até 2030.

A iniciativa grega inclui vigilância mais rigorosa, controle digital de embarcações e o desenvolvimento de práticas pesqueiras alternativas. Além disso, está previsto incentivar o turismo ecológico e a participação das comunidades costeiras na gestão das áreas.

Essas políticas visam preservar o patrimônio natural marinho, frear a perda de biodiversidade e adaptar-se às mudanças climáticas. A rica biodiversidade do Mediterrâneo oriental, da qual a Grécia é guardiã chave, enfrenta crescentes pressões devido à sobrepesca e à poluição.

O impulso por um mar mais saudável envolve investimentos, diálogo internacional e uma abordagem que equilibre produção e conservação. As novas áreas protegidas podem ser o início de uma rede regional de áreas seguras para a vida marinha.

Grécia proíbe a pesca de arrasto. Foto: Google Maps. Grécia proíbe a pesca de arrasto. Foto: Google Maps.

Pesca de arrasto: um dano silencioso

A pesca de arrasto de fundo consiste em arrastar enormes redes pelo leito marinho, devastando tudo em seu caminho. Essa técnica afeta não apenas as espécies alvo, mas também habitats como recifes e campos de fanerógamas marinhas.

Entre as consequências ambientais mais graves estão a destruição de fundos marinhos, a captura em massa de espécies não desejadas (pesca incidental) e a liberação de carbono retido nos sedimentos. Isso contribui para o aquecimento global.

Além disso, a pesca de arrasto reduz a produtividade pesqueira a longo prazo e altera cadeias alimentares inteiras. Proibi-la em áreas protegidas é um passo fundamental para restaurar os ecossistemas e permitir a recuperação natural dos mares.

A decisão da Grécia marca um antes e um depois. Seu compromisso não apenas fortalece os ecossistemas locais, mas também serve como exemplo para outras nações costeiras que enfrentam o dilema entre conservação e desenvolvimento.

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