O Lago Baikal, localizado no sul da Sibéria, Rússia, ostenta recordes mundiais que o tornam uma maravilha única.
Com 1.642 metros de profundidade máxima e 25 milhões de anos de antiguidade, este gigante aquático abriga 20% da água doce não congelada da Terra.
Como nasceu o Lago Baikal na Rússia: história e tradição
O Lago Baikal se formou quando uma falha tectônica abriu a crosta terrestre há entre 25 e 30 milhões de anos, segundo dados da Wikipedia.
Essa fissura continua se expandindo aproximadamente dois centímetros a cada ano, o que mantém o lago em constante evolução geológica.
Isso se deve ao fato de que a zona da falha é sismicamente ativa, com fontes de águas termais e terremotos periódicos.
Sua área de drenagem atinge os 540.000 quilômetros quadrados, o que supera em 13% a drenagem combinada dos Grandes Lagos da América do Norte.
O Lago Baikal é especialmente importante para os povos buriatos e as comunidades indígenas da Sibéria.

Segundo sua tradição, o Baikal é um espírito ancestral conhecido como “o olho azul da Sibéria”.
Seu nome deriva do tártaro Bai-Kul, que significa “lago rico”. Nas línguas buriata e mongol é chamado de “Dalái-Nor”, o “Mar Sagrado”.
Durante séculos, o lago tem sido um lugar sagrado onde as tribos peregrinavam para investir-se de sua energia.
Ao redor do lago podem ser encontradas esculturas e restos de edifícios rituais que testemunham esta veneração ancestral.
Dimensões que desafiam a imaginação
Este colosso siberiano se estende por mais de 31.000 quilômetros quadrados, uma superfície comparável à Bélgica.
Suas dimensões exatas registram 636 quilômetros de comprimento e 80 quilômetros de largura, com profundidades que alcançaram 1.680 metros em medições recentes.
Nos meses quentes, a visibilidade atinge até 40 metros de profundidade.
O lago contém 23.600 quilômetros cúbicos de água, volume equivalente ao do mar Báltico, o maior lago do mundo.
Para ilustrar, se o resto do mundo secasse, o Baikal poderia abastecer a humanidade por décadas.
É que, mesmo se seus 336 a 544 afluentes deixassem de fornecer água, o lago levaria mais de 400 anos para esvaziar completamente.
O rio Selengá é o principal corpo de água que o alimenta, embora também seja o causador de grande parte de sua contaminação.

A fauna e flora única do Lago Baikal
O Lago Baikal abriga aproximadamente 1.085 espécies de plantas e 1.550 espécies de animais, segundo registros da Wikipedia.
O extraordinário é que mais de 80% dessas espécies são endêmicas, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do planeta.
Entre as espécies mais notáveis destaca-se a foca nerpa (Pusa sibirica), o único mamífero do lago e a única foca de água doce do mundo.
Os cientistas ainda estudam como essa espécie chegou a um lago localizado a milhares de quilômetros do oceano mais próximo.
Os golomyankas são outra espécie interessante: trata-se de peixes transparentes que habitam grandes profundidades e dão à luz filhotes vivos em vez de pôr ovos.
Das 52 espécies de peixes do lago, 27 são endêmicas, incluindo o ómul (Coregonus autumnalis migratorius), que é pescado, defumado e vendido nos mercados locais.
O camarão epishura também desempenha uma função fundamental: filtra a água através de seu organismo, contribuindo para a extraordinária clareza do Baikal.
Exploração científica e histórica
O conhecimento científico do Lago Baikal começou com a construção do Trem Transiberiano.
Entre 1896 e 1917, uma expedição hidrogeográfica liderada por F.K. Drizhenko produziu o primeiro atlas detalhado das profundidades do lago.
O espetacular percurso ferroviário, que margeia parte do lago, exigiu 200 pontes e 33 túneis.
Em 1916 foi organizada a Reserva Natural Barguzinsky, e em 1996 o lago foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Em 29 de julho de 2008, os batiscafos russos Mir-1 e Mir-2 conseguiram chegar ao fundo do lago pela primeira vez na história. No leito foi colocada uma pirâmide de aço inoxidável com o escudo da Rússia para comemorar este feito.
As ameaças ambientais atuais ao Lago Baikal
Atualmente, o Lago Baikal enfrenta desafios ambientais significativos.
Em geral, poluição industrial, o turismo descontrolado e a mudança climática alteram seu equilíbrio ecológico.
Uma das mais graves é a planta de processamento de polpa de madeira e celulose no extremo sul do lago.
Esta indústria, planejada originalmente em 1954, continua despejando resíduos em suas águas.
O rio Selengá, principal tributário do lago Baikal, é apontado como o causador principal de sua poluição.
Diversos organismos realizam projetos de pesquisa sobre a natureza do lago.
Em particular, o Instituto Tahoe Baikal mantém um programa de intercâmbio entre cientistas para estudar o impacto da poluição.
O Centro de Pesquisa do Baikal é outra organização independente que desenvolve projetos de educação ambiental.
Apesar das ameaças, o Lago Baikal resiste. Seu silêncio profundo e suas águas puras continuam sendo um refúgio para a vida e um lembrete de nossa responsabilidade frente à natureza.



