Uma operação policial multinacional liderada pela Interpol e realizada entre maio e junho de 2025 em nove países da América Latina resultou em 225 prisões por crimes ambientais e abriu centenas de novas investigações sobre redes de crime ambiental, incluindo: desmatamento ilegal, tráfico de vida selvagem e mineração de ouro.
A ação, denominada Operação Mãe Terra VII, foi coordenada pelo escritório regional da Interpol para a América Central e assistida por sua unidade de segurança ambiental.
Crime ambiental: uma rede transcontinental em expansão
A operação detectou mais de 400 casos de crimes ambientais, incluindo:
- 203 violações relacionadas à silvicultura
- 138 vinculadas ao comércio ilegal de fauna selvagem
- Violações pesqueiras, mineração ilegal e poluição
As investigações revelaram rotas transnacionais que conectam a América Latina com Europa e Ásia, evidenciando como o crime organizado está por trás da desmatamento, a exploração de espécies protegidas e a mineração clandestina, com fins lucrativos.
Espécies traficadas e ecossistemas em risco
Entre as apreensões foram encontrados:
- Aves vivas, répteis, tartarugas, primatas e grandes felinos
- 2,4 toneladas de barbatanas de tubarão e arraia
- 875 kg de totoaba, peixe em perigo crítico de extinção
- 7 kg de pepino do mar seco, altamente valorizado em mercados asiáticos
Esses números refletem a exploração sistemática de espécies protegidas para abastecer mercados internacionais, com consequências devastadoras para a biodiversidade e a resiliência climática da região.

Mineração ilegal, tráfico de pessoas e poluição
No Panamá, foi descoberta uma operação de mineração ilegal de ouro em grande escala que envolvia:
- Trabalho infantil
- Tráfico de pessoas
- Poluição por mercúrio em rios e solos
Também foram apreendidas armas, veículos, embarcações e equipamentos de comunicação, o que confirma o nível de sofisticação dessas redes criminosas.
Crime ambiental e crime organizado: uma aliança perigosa
“Esses crimes de baixo risco e alta rentabilidade agora financiam grupos armados e prosperam na corrupção”, adverte Oscar Soria, diretor de The Common Initiative.
A operação mostra como o crime ambiental se integrou profundamente com as estruturas tradicionais do crime organizado, especialmente em áreas onde o Estado está ausente ou enfraquecido.
Violência contra defensores ambientais: uma crise silenciosa
- América Latina é a região mais perigosa do mundo para ativistas ambientais
- Em 2023, mais de 85% dos assassinatos de defensores ocorreram na região
- Colômbia e Brasil lideram as estatísticas de violência
Os ataques costumam estar vinculados à oposição a projetos extrativos, como a mineração, a petrolífera e a expansão agroindustrial.
Causas estruturais e urgências políticas
- Busca por lucros: crimes como a mineração ilegal geram bilhões de dólares
- Corrupção: facilita a expansão de atividades ilícitas
- Falta de regulamentação: muitos países carecem de legislação penal ambiental
- Pressão por desenvolvimento: políticas que priorizam o crescimento econômico sobre a proteção ambiental agravam o conflito
Rumo a uma resposta estrutural e regional
A operação faz parte do Projeto GAIA, apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente da Alemanha, com participação de Colômbia, México, Costa Rica e outros países. Espera-se um relatório analítico final em novembro, que servirá como base para fortalecer a governança ambiental, recuperar territórios e coordenar respostas regionais.
A luta contra o crime ambiental na América Latina exige mais do que prisões: requer marcos legais sólidos, cooperação internacional, proteção a defensores e uma visão territorial que priorize a vida e a biodiversidade. A Operação Mãe Terra VII é um passo firme, mas o desafio é estrutural e urgente.



