Um conflito que se agrava em Salta: novas ocupações ilegais na reserva Finca Las Costas e risco para a água potável

A reserva natural de Finca Las Costas, localizada em Salta, voltou a ficar sob a lupa judicial após um relatório ser apresentado à juíza María Guadalupe Villagrán. O documento confirma a existência de novas ocupações ilegais, construções recentes e resistência às inspeções ordenadas pela Justiça.

O levantamento foi realizado pelo juiz de Paz de Vaqueros, Eduardo Serfaty Arias, junto com o guarda-parque Matías Santa Ana, pessoal policial e autoridades da reserva, no âmbito do amparo coletivo iniciado em 2020 para frear assentamentos irregulares dentro da principal bacia hídrica que abastece a cidade de Salta.

Risco para a água potável

A gravidade do cenário reside no fato de que Finca Las Costas fornece 30% da água potável de Salta capital.

O crescimento urbano clandestino se desenvolve sem infraestrutura sanitária, utilizando fossas sépticas e sistemas precários de disposição de resíduos, o que representa um risco direto para a qualidade do recurso hídrico.

Construções detectadas

O relatório de 15 de abril de 2026 descreve:

  • Novas moradias com paredes rebocadas, telhados de chapa e cercas perimetrais.
  • Casas de grande porte, inclusive de dois andares, com tanques de água e galerias.
  • Currais e cercas permanentes.
  • Maquinário pesado vinculado ao movimento de áridos e extração de material do rio.

Hostilidade para com a Justiça

Um dos pontos mais sensíveis do levantamento é a resistência dos ocupantes:

  • Negativa em se identificar ou responder perguntas.
  • Rejeição em receber notificações judiciais.
  • Impedimento de entrada em terrenos.
  • Agressividade para com a comissão, incluindo perseguições com cães.
Finca Las Costas
Finca Las Costas enfrenta problemas legais e ocupações ilegais que afetam a bacia hídrica de Salta.

Reserva permanente e intangível

Finca Las Costas foi declarada reserva natural permanente e intangível para preservar a bacia produtora de água mais importante de Salta. Já em 2017 existiam advertências técnicas sobre o impacto das construções clandestinas, apontando riscos para o sistema de abastecimento segundo parâmetros da OMS.

O caso acumula mais de uma década de medidas cautelares e proibições de inovar que continuam sendo descumpridas.

O levantamento judicial evidencia que as ocupações não respondem unicamente a situações de vulnerabilidade social: tratam-se de construções consolidadas, investimentos significativos e ocupação sustentada dentro de uma área protegida.

Novos capítulos do conflito

Em paralelo, surgiu a polêmica pela cessão em comodato de terras ao Tigres Rugby Club, que abriu uma disputa com famílias que se identificam como integrantes da comunidade Lule e outros setores vinculados ao uso de terras fiscais.

O relatório judicial volta a evidenciar um problema ambiental e social de grande magnitude: a ocupação ilegal da reserva Finca Las Costas ameaça diretamente a segurança hídrica de Salta. A falta de esgoto e o uso de fossas sépticas em todas as construções inspecionadas reforçam a urgência de medidas efetivas para proteger um recurso estratégico e evitar que a expansão clandestina comprometa o futuro da cidade.

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