Os jovens do Sul Global apresentaram na COP30 do Brasil uma declaração que busca participação real nas decisões climáticas.
Além disso, apostam em terminar com sua inclusão meramente simbólica nos fóruns internacionais.
A iniciativa reuniu 16 jovens líderes da América Latina, África e Ásia, que representaram mais de 10.700 pessoas do Sul Global.
Esses delegados fizeram parte do programa Caminho para a Democratização do Sul, liderado pela organização Life of Pachamama.
Durante seis meses, os participantes foram formados em liderança, diplomacia climática, comunicação estratégica e ação territorial.
Como resultado, elaboraram a Declaração do Sul Global, um documento que reúne as vozes de meninas, meninos, adolescentes e jovens de territórios historicamente excluídos da agenda ambiental internacional.

Os 4 dos jovens do sul global eixos para transformar a governança climática
A declaração apresentada se concentrou em quatro áreas prioritárias que buscam modificar a forma como são tomadas as decisões ambientais:
- Descentralização e territorialização da governança climática
- Responsabilidade corporativa e regulação do setor empresarial
- Proteção e segurança das pessoas defensoras ambientais
- Transparência e acesso democrático à informação
Essas propostas visam garantir que as comunidades mais afetadas pela crise climática tenham incidência direta nas políticas que as impactam.
A exclusão como padrão nas conferências climáticas
Juan David Amaya, ativista pela justiça climática e diretor executivo da Life of Pachamama, denunciou que a COP continua sendo um “cenário bastante excludente, principalmente para as infâncias e adolescências”.
“Nós mesmos abrimos os espaços porque a COP, como tal, é um cenário bastante excludente, principalmente para as infâncias e adolescências“, afirmou Amaya.
O ativista destacou que os chamados “padrões tokenistas” se tornaram evidentes novamente na conferência.
Esses padrões oferecem uma participação superficial para aparentar inclusão sem gerar mudanças reais.
“Apesar de que a cada ano aumenta o número de participantes menores de 30 anos, os mecanismos existentes não são eficientes nem inclusivos de maneira direta”, destacou.
E acrescentou: “Isso reproduz barreiras históricas e perpetua desigualdades que marcaram esses espaços”.

As soluções que propõem os jovens do sul global
No entanto, Amaya destacou que a presença juvenil permitiu insistir que aqueles que sofrem diretamente os impactos da crise climática devem influenciar as decisões tanto a nível global quanto local.
O diretor da Life of Pachamama afirmou que a participação justa é fundamental porque na infância, nas adolescências e nas juventudes “estão a mudança, a transformação e a inovação”.
“Somos a geração que não causou o problema que enfrentamos hoje, mas somos quem está criando soluções baseadas na natureza para contrabalançar a crise climática e social que vivemos diariamente. O tempo está se esgotando: é necessário mais ambição e ação para enfrentar este desafio”, concluiu.
A declaração busca que os espaços de decisão climática incorporem de maneira efetiva as propostas dos jovens do Sul Global, reconhecendo seu papel como atores fundamentais na construção de soluções ambientais.



