A menos de dois meses da realização da COP30, no Brasil, foi realizado o Encontro+B Amazônia 2025, em Belém do Pará.
O evento culminou com a elaboração de uma carta coletiva com uma mensagem contundente. Estabelece diretrizes e compromissos para enfrentar a crise climática, promover a justiça socioambiental e impulsionar a transição para modelos econômicos mais equitativos, transparentes e responsáveis.
Organizado pelo Sistema B, reuniu 750 líderes empresariais, comunitários, governamentais e acadêmicos de 19 países.
Deste universo, 30% representaram comunidades locais como povos indígenas, quilombolas e pequenos produtores.
Encontro do Movimento B em preparação para a COP30: qual mensagem foi enviada
Deste intercâmbio coletivo, surgiu uma carta com compromissos claros, que expressa a visão compartilhada pelas milhares de pessoas que fazem parte do Movimento B.
A mensagem representa uma contribuição colaborativa ao Balanço Ético Global. Trata-se de uma iniciativa liderada pelo Presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, pela Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, Marina Silva, e pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, como parte dos Círculos da Presidência da COP30.

Sob o lema “A raiz do futuro”, o Encontro+B Amazônia 2025 aconteceu entre 3 e 5 de setembro na cidade de Belém do Pará, Brasil.
Entre os 90 palestrantes, destacaram-se os co-fundadores da B Lab, Jay Coen-Gilbert e Bart Houlahan, e os do Sistema B: Pedro Tarak, María Emilia Correa, Juan Pablo Larenas e Gonzalo Muñoz. Além de outros importantes referentes do Triplo Impacto na América Latina e no Caribe.
Este evento, o mais importante do Movimento B na região, foi possível graças ao apoio das Empresas B Natura, Gerdau e Agro Sustentável, do Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento e de outras 65 empresas e organizações, como destacado.
Principais diretrizes da carta
- Compromisso ético e global: garantir que a COP30 reflita a urgência científica e o imperativo ético de proteger a Amazônia e o planeta.
- Transição justa: promover um modelo socioeconômico inclusivo, que alinhe os lucros financeiros com a responsabilidade social e ambiental e impulsione uma economia regenerativa.
- Ação coletiva: mobilizar empresas, sociedade civil e governos para ações de cooperação concretas e mensuráveis que harmonizem desenvolvimento, bem-estar social e limites planetários.
- Valorização dos povos indígenas e comunidades tradicionais: reconhecer e fortalecer seu protagonismo, integrando conhecimentos ancestrais e científicos à tomada de decisões.
O que é o Movimento B e quais são os propósitos
O Movimento B trabalha para criar um sistema econômico que coloque o bem-estar das pessoas e do planeta no centro de suas decisões.
Presente em 102 países, conta com mais de 10.000 Empresas B Certificadas e 1017.000 trabalhadores globalmente. Estas mobilizam mais de U$ 350.000 bilhões em receitas anuais. Na América Latina e no Caribe, são mais de 1300, com uma receita anual de U$ 40.000 bilhões.
“Somos um movimento global de empresas que redefinem o sucesso empresarial, considerando o sucesso financeiro juntamente com o bem-estar da sociedade e do planeta”, definiram as autoridades na carta.
“Representamos uma comunidade de líderes que usam seus negócios para construir um sistema econômico mais inclusivo, equitativo e regenerativo”, ressaltaram.
Neste sentido, os líderes do Sistema B reforçaram a urgência de transformar o modelo econômico e social vigente. Sublinharam que empresas, investidores e governos têm a responsabilidade de alinhar o lucro com a regeneração e a inovação com a justiça social.
“Como vimos com a chegada da COP30, a Amazônia e a América Latina foram convocadas a liderar um mundo em crise”, disse João Bernardo Casali, Co-Presidente do Sistema B Internacional.
“E é a partir daqui, com nossa diversidade, resiliência e conexão com a natureza, que impulsionamos as empresas como agentes de mudança, utilizando a força do mercado para contribuir ao bem comum”, acrescentou.
Por sua vez, Cecilia Peluso, Co-Presidente da organização, destacou: “Estamos no limiar de uma grande transformação. Acabamos de lançar os novos padrões que, a partir de janeiro, elevarão o nível de impacto e materialidade para a Certificação de Empresa B. É um chamado para crescer juntos em nossa capacidade de regenerar o planeta e a sociedade”.

O papel das comunidades originárias
Na carta, também afirmaram que os conhecimentos dos povos e comunidades tradicionais, assim como sua forma de fazer negócios, são inspiração para as Empresas B. Ou seja, um exemplo prático de lideranças empresariais comprometidas com a construção e melhoria de um sistema econômico inclusivo, equitativo e regenerativo para todas as pessoas e o planeta.
“Desde o Movimento B oferecemos nossa colaboração integral para que esta seja realmente a COP da implementação”, destaca a carta entregue como mensagem ao mundo



