A temporada turística em Florianópolis e outras praias de Santa Catarina ocorre sob um cenário de risco sanitário. O último relatório do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) revelou que mais de um terço dos pontos monitorados apresentam condições não adequadas para banho, com presença da bactéria Escherichia coli em setores de alta frequência.
As autoridades recomendam tomar precauções extremas e consultar o estado atualizado da água antes de entrar no mar, especialmente após chuvas intensas e perto de desembocaduras de rios ou canais, onde o risco de contaminação aumenta.
Dados oficiais e casos relatados
O Ministério da Saúde do Brasil informou que no decorrer do ano foram registrados 10.649 episódios de doenças diarreicas agudas em Santa Catarina, segundo o sistema nacional de vigilância SIVEP-DDA/MDDA. Esses quadros incluem diarreia, vômitos, dor abdominal e, em casos graves, disenteria.
O Relatório de Balneabilidade Nº10 – Temporada 2025/2026 detalhou que dos 260 pontos monitorados, 34,23% (89 setores) resultaram não adequados para banho, com níveis de E. coli superiores aos permitidos pela Resolução CONAMA nº 274/2000.

Normativa e parâmetros microbiológicos
A normativa estabelece que uma área é adequada se em pelo menos 80% das amostras das últimas cinco semanas são registradas menos de 800 E. coli por 100 ml. Se esses valores forem excedidos, ou se uma amostra individual exceder 2.000 E. coli por 100 ml, o local é classificado como não adequado.
Praias com cenários contrastantes
- Florianópolis: 29 pontos foram classificados como “impróprios” e 59 como adequados.
- Jurerê e Praia Mole: todos os pontos analisados resultaram adequados.
- Joaquina: o setor em frente ao posto de salva-vidas foi declarado não adequado.
- Praia da Daniela: a maioria dos trechos mantém boa qualidade de água.
- Canasvieiras: apenas um ponto resultou não adequado, o restante adequado.
- Ingleses: a qualidade depende da proximidade ao rio Capivari e descargas pluviais.
- Praia Brava: maioria dos pontos adequados, exceto áreas junto a desembocaduras.
- Santo Antônio de Lisboa: os dois pontos analisados foram adequados.
- Lagoinha do Norte: atenção especial perto da saída da lagoa.
Risco sanitário no sul do Brasil
As doenças diarreicas agudas são caracterizadas por pelo menos três episódios de diarreia em 24 horas, acompanhados de náuseas, febre e dor abdominal. Embora geralmente se resolvam em menos de duas semanas, existe risco de desidratação grave, especialmente em crianças e idosos.
A Escherichia coli, bactéria presente no intestino humano e animal, pode causar quadros severos quando certas cepas contaminam água ou alimentos. A infecção por E. coli O157:H7 pode provocar cólicas intensas, diarreia com sangue e vômitos.
Prevenção e recomendações
O Ministério da Saúde do Brasil recomenda:
- Evitar o contato com água classificada como não adequada.
- Tomar cuidados extremos após chuvas intensas (24–48 horas posteriores).
- Consultar o mapa atualizado de balneabilidade no portal oficial do IMA.
- Manter higiene pessoal: lavar as mãos com água e sabão.
- Tratar a água antes de consumi-la (filtragem, fervura ou hipoclorito de sódio a 2,5%).
- Evitar alimentos crus ou mal cozidos, especialmente carnes e mariscos.
- Lavar frutas e verduras com água segura.
O monitoramento continuará até março, quando a afluência turística diminuir. As autoridades ambientais e sanitárias insistem na necessidade de consultar semanalmente o estado de cada praia e relatar qualquer incidente sanitário à Vigilância Sanitária local.
A prevenção e o acesso a informações atualizadas são fundamentais para desfrutar da temporada sem riscos para a saúde.



