Semana Santa: organizações pedem evitar o consumo de cação, o tubarão ameaçado mais comercializado na Argentina

Na Semana Santa, o consumo de peixe aumenta na Argentina e uma das espécies mais comercializadas é o gatuzo (Mustelus schmitti), um pequeno tubarão endêmico do Atlântico Sudoeste. No entanto, sua situação é alarmante: segundo a Lista Vermelha da UICN, sua população diminuiu mais de 90% nas últimas quatro décadas, o que o coloca na categoria de Perigo Crítico de Extinção.

A organização WCS Argentina, que trabalha desde 2013 na conservação de tubarões e raias, lançou uma campanha para desencorajar seu consumo e promover um consumo consciente. “Não é um simples peixe, é um tubarão ameaçado de extinção”, explicou Juan Martín Cuevas, coordenador de conservação de raias e tubarões da entidade.

Por que o gatuzo não consegue se recuperar

Ao contrário dos peixes ósseos, os tubarões têm um crescimento lento, uma reprodução tardia e uma baixa fecundidade.

  • As fêmeas só se reproduzem aos 8 anos e os machos aos 7.
  • Têm poucas crias por gestação.
  • A exploração pesqueira industrial, artesanal e esportiva impede que as populações se estabilizem.

Nas peixarias, o gatuzo também é comercializado sob nomes como “palo rosado”, o que dificulta que os consumidores reconheçam que estão comprando um tubarão em risco.

Papel ecológico dos tubarões

Os tubarões desempenham um papel essencial nos oceanos:

  • São predadores de topo que equilibram a cadeia alimentar.
  • Mantêm a saúde dos ecossistemas marinhos.
  • Seu desaparecimento alteraria gravemente a biodiversidade e a produtividade pesqueira.

“Como consumidores, podemos contribuir não comprando tubarões nas peixarias”, destacou Lucas Albornoz, da equipe de conservação da WCS Argentina.

gatuzo
A população de gatuzo diminuiu mais de 90% nas últimas décadas.

Esforços internacionais de proteção

  • Em 2020, o gatuzo foi catalogado como Em Perigo Crítico pela UICN.
  • Em novembro de 2025, foi incluído no Apêndice II da CITES, o que obriga a regular seu comércio internacional e demonstrar que provém de uma pesca sustentável.
  • Em março de 2026, sua situação será avaliada na COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS), buscando reforçar medidas de proteção em toda sua distribuição (Argentina, Uruguai e Brasil).

Um chamado à ação coletiva

A campanha da WCS Argentina busca que a população tome consciência de que o gatuzo não é um peixe qualquer, mas um tubarão em risco crítico. A proteção desta espécie requer:

  • Políticas públicas que regulem a pesca e o comércio.
  • Pesquisas científicas que monitorem suas populações.
  • Educação ambiental para consumidores e pescadores.
  • Cooperação internacional, já que os animais migratórios não reconhecem fronteiras.

Como destacou Joe Walston, vice-presidente de Programas Globais da WCS: “A proteção das espécies migratórias depende da ação coordenada entre os países. A CMS fornece uma plataforma vital para essa cooperação, mas só se os compromissos se traduzirem em ações reais no terreno e na água”.

A campanha de Semana Santa contra o consumo de gatuzo é um lembrete de que nossas decisões cotidianas têm impacto direto na conservação de espécies. Evitar sua compra e consumo é uma forma concreta de proteger a biodiversidade marinha e assegurar que este tubarão continue cumprindo seu papel essencial nos oceanos.

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