Atum proibido nas cantinas escolares na França: por que várias cidades emitiram um alerta sobre este peixe.

A novidade de que proíbem o atum nas cantinas escolares de várias cidades francesas percorreu o mundo e acendeu alarmes.

Esta decisão, que inclui Paris, Lyon e Lille, baseia-se num princípio de precaução devido à preocupação com a saúde das crianças, devido à contaminação por mercúrio.

Apesar de os produtos cumprirem com as normas sanitárias vigentes, as autoridades municipais consideraram que a regulamentação europeia atual não oferece a proteção adequada.

Preocupação com o mercúrio no atum: a decisão determinante das cidades francesas

A medida foi impulsionada pelo ativismo de organizações ecologistas como Bloom e Foodwatch, que alertaram sobre a presença de mercúrio no atum. Estas associações, após analisarem 148 latas de atum em conserva, encontraram mercúrio em todas as amostras.

Em mais da metade delas, conforme informou a agência EFE, a concentração excedia os 0,3 miligramas por quilo, limite estabelecido para outros peixes como o bacalhau ou as anchovas.

Apesar de a normativa europeia permitir uma concentração máxima de um miligrama por quilo no atum fresco, as organizações ecologistas apontam que este limite sobe para 2,7 miligramas por quilo no atum em conserva, visto que o mercúrio se concentra ao desidratar-se.

Por esse motivo, as cidades francesas manterão a proibição até que o limite autorizado de mercúrio no atum seja reduzido ao mesmo nível de outros peixes, ou seja, a 0,3 miligramas por quilo.

A posição da indústria e o que diz a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou o mercúrio como uma das 10 substâncias químicas de maior preocupação para a saúde, com um risco particular para as crianças.

Por sua vez, a Federação das Indústrias de Alimentos Conservados defendeu a segurança de seus produtos, assegurando que cumprem com todas as regulamentações.

A indústria questionou, no entanto, a metodologia das análises realizadas pelas ONG e publicou os resultados de seus próprios controles. Nestes, conforme afirmam, as concentrações de mercúrio são, em média, três vezes inferiores ao limite regulamentar.

Os níveis de mercúrio em rios duplicaram: por que isso aconteceu e o que pode causar

Um estudo recente revela um dado preocupante em relação à água do planeta. Desde 1850 até agora, os níveis de mercúrio em rios duplicaram.

A pesquisa foi divulgada na Science Advances e liderada por pesquisadores da Universidade de Nanjing e da Universidade Tulane.

Atum proibido em escolas de algumas cidades da França devido aos níveis de mercúrio.
Atum proibido em escolas de algumas cidades da França devido aos níveis de mercúrio.

Revela que os níveis da substância transportados pelos rios para o oceano passaram de cerca de 390 toneladas para mais de 1000 hoje, ou seja, mais que o dobro do pré-industrial.

Mercúrio nos rios: o que diz o relatório e por que é preocupante

Através do modelo global MOSART‑Hg, os cientistas mediram o fluxo fluvial de mercúrio desde a época pré-industrial até os dias atuais. Validaram assim suas projeções com dados de sedimentos marinhos.

Esta análise meticulosa determina que hoje os rios transportam quase mil toneladas de mercúrio por ano. Trata-se de um aumento de 150%principalmente impulsionado por despejos industriais, mineração e a erosão acelerada do solo.

As regiões mais afetadas são América do Norte e do Sul, responsáveis por 41% do aumento global, seguidas pelo sudeste asiático (22%) e sul da Ásia (19%).

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