Pesquisadores no sul do Brasil desenterraram ossos que parecem de outro mundo. Um crânio completo, junto com vértebras e uma pelve, revelou uma nova espécie de réptil predador que viveu há cerca de 237 milhões de anos, muito antes da era dos dinossauros.
Esta nova descoberta foi batizada como Parvosuchus aurelioi. Embora seu tamanho não fosse impressionante (cerca de um metro de comprimento), sua descoberta tem grande valor científico. É o primeiro exemplar de gracilisúquido encontrado no Brasil, um grupo de répteis raros relacionados aos crocodilos modernos.
Os fósseis encontrados compreendem um crânio com mandíbula, 11 vértebras dorsais, duas sacras, uma cintura pélvica completa e partes das patas traseiras, classificados como CAPPA/UFSM 0412. Este tipo de conservação é rara, especialmente com um crânio completo.
Com um crânio de 14,4 centímetros, estima-se que o Parvosuchus media cerca de um metro. Não poderia competir com os grandes predadores de seu tempo, como Prestosuchus chiniquensis, que alcançava até sete metros. Este pequeno réptil provavelmente caçava presas pequenas e se alimentava de carniça.
O Parvosuchus pertence aos Gracilisuchidae, uma família extinta de pseudosuquios, grupo próximo aos crocodilos atuais. Até agora, os fósseis desta família só haviam sido encontrados na Argentina e na China, o que torna esta descoberta ainda mais valiosa.
Similar ao crocodilo
A descoberta foi realizada na Formação Santa Maria, em Paraíso do Sul (Rio Grande do Sul), em estratos associados à zona de montagem de Dinodontosaurus. Estas camadas rochosas são fundamentais para comparar as faunas do Triássico na América do Sul.
No Triássico, os pseudosuquios, parentes distantes dos crocodilos, dominavam a terra. Este grupo experimentou diversas adaptações, desde grandes caçadores até espécies com armaduras ósseas, algumas das quais caminhavam eretas.
Esta descoberta ajuda a compreender como os ecossistemas foram reconstruídos após a extinção do Pérmico há 252 milhões de anos. O Parvosuchus existiu cerca de 15 milhões de anos após este evento, em um período de reordenamento ecológico.
O nome da espécie homenageia Pedro Lucas Porcela Aurélio, que encontrou e doou os fósseis para seu estudo. Em janeiro de 2024, a equipe do CAPPA desenterrou a pelve e posteriormente descobriu o crânio, uma descoberta emocionante para os paleontólogos.
Proteger esses sítios em Rio Grande do Sul é essencial para preservar nosso patrimônio natural e científico. Esses locais não podem ser substituídos, e sua destruição seria como queimar uma biblioteca única.
O estudo que detalha esta descoberta foi publicado em Scientific Reports.



