Pesquisadores descreveram uma nova espécie de rã escarlate nas florestas montanhosas dos Andes orientais do Equador, batizada como Pristimantis fergusoni. A descoberta, publicada pelo Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador (INABIO), foi realizada após uma análise filogenética que a associa a um grupo específico de rãs espinhosas próprias desta região.
A espécie foi encontrada unicamente em duas reservas naturais da província de Tungurahua: Cerro Candelaria e Chamana, ambas integradas ao Corredor Ecológico Llanganates-Sangay, entre altitudes de 2.972 e 3.200 metros. Sua distribuição restrita reforça a necessidade de avaliar seu estado de conservação.
Características morfológicas distintivas
Pristimantis fergusoni apresenta características únicas que a diferenciam de outras rãs espinhosas andinas:
- Focinho curto com uma papila pequena, mais visível em machos.
- Tubérculos cônicos proeminentes em pálpebras e calcanhares.
- Dorso com colorações variáveis: verde lima, laranja claro ou tons de canela.
- Ventre e virilhas de cor escarlate intensa, especialmente em fêmeas.
- Íris amarela atravessada por uma faixa horizontal alaranjada.
Essas características, junto com sua aparência espinhosa, a tornam um exemplar facilmente reconhecível dentro da família Strabomantidae.
Importância ecológica e ameaças
Os pesquisadores alertam que a informação sobre o tamanho e dinâmica de suas populações é limitada. Por isso, propõem catalogá-la como “Dados Insuficientes” sob os critérios da UICN. Entre as principais ameaças encontram-se:
- Mudança climática, que altera os habitats montanhosos.
- Expansão agrícola, que reduz a cobertura florestal.
- Perda de habitat, consequência da pressão humana em zonas de alta biodiversidade.
A proteção dessas florestas é vital, já que atuam como refúgios para espécies endêmicas e sustentam processos ecológicos chave.

Um foco de diversidade no rio Pastaza
A descoberta reforça a relevância biológica do vale alto do rio Pastaza, onde nas últimas décadas foram identificadas mais de 30 espécies de rãs da família Strabomantidae.
O gênero Pristimantis soma atualmente 627 espécies reconhecidas, consolidando esta região como um dos principais focos de diversidade anfíbia na América do Sul.
Pesquisa colaborativa
A documentação da nova espécie combinou coletas de campo entre 2008 e 2023, análises morfológicas e testes moleculares realizados em laboratórios de Quito. O estudo contou com a colaboração de instituições equatorianas, americanas e peruanas, incluindo a Fundação EcoMinga, a Pontifícia Universidade Católica do Equador, o Instituto Peruano de Herpetologia, o Smithsonian’s National Zoo and Conservation Biology Institute e a Universidade San Francisco de Quito.
A descoberta de Pristimantis fergusoni amplia o conhecimento sobre a biodiversidade equatoriana e sublinha a urgência de conservar os ecossistemas andinos frente a ameaças crescentes. Cada nova espécie documentada nessas zonas montanhosas aporta informações valiosas para desenhar estratégias de manejo que permitam enfrentar os desafios ambientais atuais e futuros.



