Um estudo da Universidade do Havaí em Mānoa, publicado em Coral Reefs, revelou que as tartarugas marinhas verdes havaianas (Chelonia mydas) estão desempenhando um papel chave na redução da biomassa de Chondria tumulosa, uma alga invasora que ameaça os recifes do noroeste do arquipélago.
A pesquisa documentou que esses répteis se alimentam ativamente da alga, o que poderia contribuir para mitigar sua expansão. No entanto, os cientistas alertam que durante suas migrações as tartarugas também poderiam dispersar fragmentos viáveis, gerando um dilema ecológico.
A expansão de Chondria tumulosa
- Identificada em 2016 no atol Manawai (Pearl e Hermes).
- Em menos de uma década se estendeu a Kuaihelani (Midway) em 2021 e a Hōlanikū (Kure) em 2022.
- Atualmente cobre mais de 101 km² de ecossistemas coralinos.
- Forma mantos densos de até 6 cm de espessura, capazes de sufocar corais vivos e deslocar espécies nativas.
Este crescimento acelerado a posiciona como uma das ameaças mais graves para a biodiversidade marinha regional, já afetada pelas mudanças climáticas e pela atividade humana.
Comportamento das tartarugas verdes
As observações realizadas no Monumento Marinho Nacional Papahānaumokuākea registraram três exemplares se alimentando da alga por cerca de 50 minutos. Uma fêmea realizou 18 mordidas em 95 segundos, retirando fragmentos de entre 5 e 15 cm.
A necropsia de uma tartaruga encontrada na zona mostrou que 25% do seu conteúdo digestivo correspondia a fragmentos de Chondria tumulosa. Nenhum peixe nem ouriço local demonstrou uma eficiência similar na remoção da biomassa invasora.

Oportunidade e risco
Segundo a bióloga Tammy Summers, as tartarugas verdes atuam como megaherbívoros nativos com potencial para suprimir a biomassa invasora. No entanto, a dispersão de fragmentos durante suas migrações poderia acelerar a propagação da alga para novas áreas.
96% das tartarugas verdes do Havaí nidificam em Lalo (French Frigate Shoals) e migram para outras zonas do arquipélago, o que aumenta o risco de transporte de fragmentos viáveis.
Estratégias de conservação
A professora Celia Smith, autora principal do estudo, sublinhou a necessidade de:
- Aumentar as populações de tartaruga marinha verde, espécie em perigo de extinção.
- Fortalecer o monitoramento ambiental mediante técnicas de DNA ambiental (eDNA).
- Identificar rotas migratórias críticas para antecipar novas expansões da alga.
Essas medidas buscam equilibrar os benefícios do controle natural exercido pelas tartarugas com os riscos de dispersão involuntária.
O comportamento das tartarugas marinhas verdes frente a Chondria tumulosa apresenta um cenário complexo: são aliadas na defesa dos recifes, mas também potenciais vetores de expansão da espécie invasora.
A rápida propagação da alga exige estratégias de conservação que integrem monitoramento avançado, fortalecimento de populações nativas e cooperação internacional para proteger a biodiversidade coralina do Havaí.



