A inovação que poderia revolucionar a mineração: conseguem a extração sustentável de metais com menos poluição

Uma equipe do Max Planck Institute desenvolveu um método inovador de extração sustentável de metais críticos do fundo marinho.

A tecnologia utiliza plasma de hidrogênio e reduz mais de 90% as emissões de CO2 em comparação com a mineração tradicional.

O procedimento recupera cobre, níquel e cobalto de nódulos polimetálicos.

Esses materiais são essenciais para baterias e sistemas elétricos da transição energética.

Como funciona o novo processo de extração sustentável de metais

Sob a direção de Dierk Raabe e Ubaid Manzoor, o método reduz nódulos polimetálicos em um forno de arco elétrico com plasma de hidrogênio.

Os nódulos provêm principalmente da zona Clarion-Clipperton no Pacífico.

“Reduzimos os minerais secos com um plasma de hidrogênio diretamente em um forno de arco elétrico alimentado por energia renovável”, explicou Manzoor.

O processo de extração sustentável de metais separa primeiro o cobre como metal puro.

Depois obtém uma liga de níquel e cobalto, juntamente com óxidos de manganês úteis para fabricar baterias.

A proporção de metais na liga pode ser adaptada conforme a duração do processo. Isso facilita seu processamento posterior e aplicação industrial.

Logran la extracción sostenible de metales sin contaminar (Max Planck Institute)
Conseguem a extração sustentável de metais sem contaminar (Max Planck Institute)

Os benefícios ambientais da extração sustentável de metais

A pesquisa, apresentada na revista Science Advances, destaca múltiplas vantagens ambientais da extração sustentável de metais:

  • Redução superior a 90% nas emissões de CO2 usando hidrogênio verde e eletricidade renovável
  • Requer cerca de 20% menos energia que processos convencionais
  • Menos etapas de tratamento em comparação com a mineração tradicional
  • Gera significativamente menos resíduos: 9 bilhões de toneladas frente a 63 bilhões

Segundo o Max Planck Institute, produzir materiais para um bilhão de baterias através de nódulos marinhos gera sete vezes menos resíduo que a mineração terrestre.

O método elimina também o trabalho infantil e a desflorestação associados à mineração de cobalto e níquel em terra firme.

A forte comparação com a mineração tradicional

A mineração terrestre de cobre, níquel e cobalto implica a remoção de extensas florestas.

Esta gera anualmente entre 4 mil e 5 mil milhões de toneladas de resíduos rochosos e escória.

Os depósitos terrestres apresentam baixa concentração de metais, o que obriga a extrair mais material.

Em contrapartida, os nódulos polimetálicos do fundo marinho contêm maiores proporções desses metais.

A demanda futura justifica a busca por alternativas. Para 2050, serão necessários 60 milhões de toneladas de cobre, 10 milhões de toneladas de níquel e 1,4 milhões de toneladas de cobalto.

Isso significa que a demanda de cobre e níquel se duplicará. A de cobalto poderá multiplicar-se por cinco em relação aos níveis atuais.

mineração, extração sustentável de metais

Os desafios pendentes do projeto

O Max Planck Institute reconhece que a mineração submarina acarreta desafios éticos e ambientais a serem resolvidos.

Dierk Raabe adverte que “a extração desses nódulos no fundo marinho também deixa uma pegada ambiental“.

Raabe, que antes rejeitava a exploração desses recursos, mudou sua posição diante da possibilidade de minimizar danos.

Ubaid Manzoor apontou que a meta da equipe é “proporcionar um método sustentável para extrair metais críticos dos nódulos do fundo marinho e os dados para tomar decisões informadas”.

Atualmente, o futuro da mineração de nódulos polimetálicos continua sendo objeto de debate internacional.

No entanto, avançar para uma economia menos dependente do carbono exigirá soluções que equilibrem a demanda de recursos com a proteção ambiental.

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