Um novo projeto imobiliário no Cerro Catedral, o principal centro de esqui de Bariloche e a Patagônia argentina, avança entre críticas de diversos setores.
Desde arquitetos e engenheiros até ambientalistas e empresários do turismo, são muitos os especialistas que questionam sua viabilidade ambiental, jurídica e econômica.
O projeto, impulsionado pelo prefeito de Bariloche Walter Cortés, busca habilitar o desenvolvimento imobiliário na montanha através de um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental.
A iniciativa é do grupo empresarial Trappa e implica a cessão de mais de 70 hectares de terras municipais em troca de terrenos para loteamentos.

As vozes contra o plano
O Colégio de Arquitetos de Río Negro (CARN) rejeitou a cessão de terras. Segundo a instituição, o projeto imobiliário viola a Carta Orgânica Municipal, que define o Cerro Catedral como “porção inalienável de seu patrimônio”.
A porta-voz do CARN, Alicia Albandoz, destacou que o projeto visa converter a montanha em uma “cidade satélite”, em vez de fortalecer seu papel como motor econômico de Bariloche.
O Conselho Profissional de Engenheiros também expressou dúvidas. O engenheiro Julio Posse denunciou que o registro de terras ainda não está nas mãos do município e que a medição da superfície concedida apresenta erros.
Por sua vez, a geóloga Silvia Uber apresentou observações perante o Conselho Deliberativo sobre a instabilidade geológica da área. A especialista citou estudos do Serviço Geológico Mineiro Argentino (SEGEMAR) que alertam sobre os riscos do desenvolvimento urbano na área.
Projeto imobiliário no Cerro Catedral: o que está em jogo
Recentemente, o debate sobre este projeto imobiliário no Cerro Catedral foi transferido para o Conselho de Planejamento Municipal (CPM). Ali, o governismo não conseguiu explicar os benefícios concretos para a cidade.
Martín Lago, titular da associação de hoteleiros e gastronômicos, questionou o processo. “Abundaram as perguntas e escassearam notavelmente as respostas”, resumiu após a reunião do CPM.
O presidente da Câmara de Turismo, Néstor Denoya, considerou que o Executivo tem “pouca vontade política” para uma discussão séria sobre este projeto imobiliário no Cerro Catedral.

Nesse sentido, advertiu que “se perde uma oportunidade de ouvir os profissionais para poder melhorar o projeto”.
Entre os principais pontos questionados pelos especialistas destacam-se:
- Risco geológico por instabilidade na montanha, segundo estudos do SEGEMAR
- Irregularidades na medição da superfície concedida
- Falta de titularidade registral das terras por parte do município
- Possível violação da Carta Orgânica Municipal na cessão de hectares
- Ausência de análise sobre impacto econômico, social e ambiental do plano
O problema da falta de uma comissão investigadora
O Conselho Deliberativo rejeitou esta semana a criação de uma comissão investigadora para analisar a concessão a Trappa para um projeto imobiliário no Cerro Catedral. O prefeito Cortés havia vetado a ordenança que a impulsionava.
A oposição não conseguiu os votos para sustentar a iniciativa. Apenas três vereadores votaram contra o veto, enquanto seis o apoiaram.
Se o projeto superar a instância de audiência pública —de caráter não vinculante—, o Conselho Deliberativo deverá aprová-lo com dois terços dos votos. Por enquanto, esse número não estaria garantido.
Com informações de Letra P.



