Sobre o encerramento da COP30 em Belém, Brasil, as ONGs ambientalistas lançaram duras críticas contra os resultados da cúpula climática.
As organizações ambientalistas qualificaram de insuficientes os acordos alcançados no evento diante da urgência climática global.
Em particular, a ausência de referências claras sobre combustíveis fósseis nos documentos finais gerou decepção entre os defensores do ambiente.
Entre elas, a World Wildlife Foundation (WWF) definiu o balanço da cúpula como “modesto” e advertiu que os avanços alcançados não são suficientes para enfrentar a crise climática atual.

COP30: as ONGs criticam resultados fracos e falta de ambição
“Ficamos com um documento fraco e escasso em substância”, afirmou Manuel Pulgar-Vidal, porta-voz da WWF e ex-presidente da COP20.
Segundo o representante, isso se deve aos “jogos de forças contrárias à ambição climática e à implementação”.
Durante a cúpula, o maior ponto de conflito surgiu quando os países árabes vetaram a proposta brasileira de estabelecer um “roteiro” para eliminar os combustíveis fósseis.
Essa decisão deixou um vazio significativo nos compromissos climáticos que a comunidade internacional esperava alcançar em Belém.
Greenpeace, por sua vez, lamentou essa lacuna e considerou que a iniciativa alternativa do Brasil, criada fora do canal formal de negociações, representa apenas um “prêmio de consolação“.
“Não é o avanço que esperávamos e que o mundo desesperadamente precisa”, afirmou Carolina Pasquali, diretora do Greenpeace no Brasil.

Financiamento climático: outra conta pendente na COP30
Além do tema dos combustíveis fósseis, as ONGs apontaram outro fracasso importante da COP30: a falta de aumentos no financiamento climático.
Essa demanda é uma constante das nações em desenvolvimento, que necessitam de recursos para implementar ações contra a mudança climática.
A ausência de compromissos financeiros concretos representa um obstáculo para que os países mais vulneráveis possam se adaptar e mitigar os impactos do aquecimento global.
Os êxitos da cúpula
Apesar das críticas, as ONGs identificaram alguns aspectos positivos da COP30 em Belém:
- Mobilização social intensa: foram realizados numerosos protestos a favor da causa ambientalista durante toda a cúpula
- Participação indígena: os povos indígenas tiveram uma presença destacada nas atividades e discussões
- Mecanismo de transição justa: foi criado um sistema para garantir que as medidas climáticas considerem os interesses dos trabalhadores afetados, especialmente do setor de hidrocarbonetos
“A COP30 dá um passo esperançoso em direção à justiça, mas não vai longe o suficiente”, comentou a rede Climate Action Network.
Esse balanço reflete a tensão entre aqueles que priorizam a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e os países produtores que buscam proteger suas economias baseadas em hidrocarbonetos.
A cúpula de Belém deixa assim um sabor agridoce: avanços em participação social e justiça laboral, mas retrocessos nos compromissos mais urgentes para deter o aquecimento global.



