Uma recente pesquisa do Greenpeace revela que a maioria dos argentinos considera urgente proteger as florestas para enfrentar a crise climática.
Os números são contundentes: 80% acredita que o Governo deve fazer mais para frear a destruição de ecossistemas florestais.
Atualmente, a Argentina figura entre os 15 países com maior desmatamento do mundo.
Uma recente pesquisa do Greenpeace mostra preocupação cidadã pelas florestas
O levantamento, realizado em 17 países, mostra que 86% dos entrevistados afirmam que a proteção das florestas é fundamental na luta contra a mudança climática.
Essa percepção ganha especial relevância quando a Argentina enfrenta cifras alarmantes de perda florestal.
Segundo o monitoramento satelital do Greenpeace Argentina, durante 2024 perderam-se quase 150.000 hectares de florestas nativas no norte do país.

Os desmatamentos concentraram-se principalmente em Santiago del Estero, Chaco, Formosa e Salta.
A isso se somam os incêndios florestais na Patagônia que destruíram cerca de 32.000 hectares de florestas apenas nos primeiros meses de 2025.
A pesquisa reflete que 58% dos consultados prioriza fortalecer a aplicação da lei e sancionar os delitos ambientais.
Entre estes, contam-se o desmatamento ilegal e os ataques a povos indígenas e comunidades locais.
O contexto da COP30
“É evidente a preocupação dos argentinos pela crise climática e por frear a destruição de nossas florestas“, afirmou Hernán Giardini, coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace Argentina.
A cúpula de mudança climática COP30 será realizada na cidade brasileira de Belém, em plena Amazônia.
Lá, espera-se avançar com financiamento para a proteção das florestas.
Também se busca um plano concreto para cumprir com a meta de Desmatamento Zero para o ano 2030, um compromisso do qual a Argentina faz parte.
Nessa linha, a pesquisa do Greenpeace aponta que 67% da população acredita que as comunidades indígenas e locais deveriam receber mais apoio financeiro para ajudar a proteger as florestas.
Esse dado ganha especial relevância no contexto da COP30, onde o financiamento verde será tema central.
Em relação aos acordos internacionais, 80% considera que podem contribuir significativamente para proteger as florestas e frear o desmatamento.

Críticas ao orçamento nacional
Por outro lado, de olho no debate do Orçamento 2026 no Congresso, Giardini advertiu sobre deficiências no financiamento do cuidado ambiental.
“É preocupante que o projeto de Lei de Orçamento 2026 destine apenas 3,5% do que corresponde ao financiamento da Lei Nacional de Florestas“, considerou.
Essa situação diminuirá a capacidade de controle sobre os desmatamentos ilegais que realizam as províncias, e a promoção da conservação e das atividades sustentáveis nas florestas.
“Também é grave que nos Parques Nacionais haja apenas metade dos brigadistas necessários para cobrir cerca de 5 milhões de hectares sob sua jurisdição”, acrescentou o coordenador.
Nesse contexto, o Greenpeace está convocando a cidadania a reclamar que se considere como um delito penal a destruição de florestas.
Até o momento, mais de 270.000 pessoas participaram em votaporlosbosques.org.
Os resultados da pesquisa chegam em um momento crítico para a política ambiental argentina e a preservação de ecossistemas florestais chave para mitigar a mudança climática.



