Lisboa enfrenta há anos um desafio silencioso mas persistente: a acumulação de resíduos derivados do consumo em espaços recreativos. A partir de junho de 2025, a cidade tornou-se a primeira capital europeia a implementar um sistema abrangente de copos reutilizáveis, apoiado por um modelo local de depósito e devolução digital.
Os primeiros pontos de retorno geridos pela empresa TOMRA —especializada em soluções de reciclagem automatizada— já estão em operação em dois quiosques históricos: Praça de São Paulo e Praça do Príncipe Real. Até outubro de 2025 está prevista uma expansão completa do sistema com 17 pontos de recolha na zona da Baixa.
Como funcionam os copos reutilizáveis
- Os consumidores recebem sua bebida em um copo reutilizável, deixando uma caução de 0,60 € no momento da compra
- O reembolso é feito automaticamente ao devolver o copo nos pontos TOMRA, sem necessidade de registro, apenas tocando com cartão ou telemóvel
- A TOMRA é responsável pela recolha, higienização e redistribuição, fechando o ciclo de forma eficiente

Aliança entre cidade, tecnologia e setor gastronômico
A iniciativa surge de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Lisboa, a empresa TOMRA e a associação AHRESP (que reúne hotéis, restaurantes e bares). Este desdobramento responde à portaria municipal de 2024. A mesma proíbe o uso de copos descartáveis e exige infraestrutura funcional para garantir a mudança de hábito.
“O objetivo é promover uma verdadeira cultura de reutilização na cidade e inspirar outros municípios”, afirmou Rui Cordeiro, vereador de Resíduos e Economia Circular. “É um passo concreto em direção a um consumo mais consciente.”
Do AHRESP, seu presidente Carlos Moura destacou que este modelo oferece uma solução prática e replicável: “O setor HORECA passa de ser parte do problema a liderar a mudança, junto com seus clientes.”
Reutilização em escala metropolitana
O modelo não só busca reduzir resíduos, mas também minimizar emissões, integrar tecnologia sem atrito para o consumidor e promover um ambiente urbano mais limpo e funcional.
A introdução de uma “Chávena de Lisboa” padronizada prevista para outubro consolidará o sistema em cafés, bares e discotecas do centro histórico, com uma linguagem visual coerente e design adaptado.
O sistema foi apresentado na cimeira Lisboa rumo à reutilização, realizada no Museu do Design e da Moda (MUDE). Ali urbanistas, responsáveis políticos e ativistas ambientais testaram o mecanismo e exploraram seu potencial de escalabilidade.



