Flórida libera caranguejos-rei para salvar seus recifes: uma ação que representa um marco na restauração marinha

No final de março, o Mote Marine Laboratory de Sarasota liberou os primeiros caranguejos-rei caribenhos (Maguimithrax spinosissimus) criados em cativeiro sobre um recife de coral nas Lower Florida Keys.

Trata-se de um passo histórico na restauração do sistema de recifes da Flórida, o terceiro maior do mundo. Esta área perdeu mais de 90% de seu coral vivo nos últimos 75 anos devido à sobrepesca, doenças, proliferação de algas e o estresse climático.

O papel do caranguejo-rei caribenho

Este crustáceo é considerado um dos herbívoros mais eficazes do Atlântico ocidental, capaz de consumir macroalgas que bloqueiam a luz solar e competem com os corais jovens por espaço.

Estudos anteriores demonstram que sua presença pode reduzir a cobertura de algas entre 50% e 85%. Isso aumenta significativamente o recrutamento de corais e a abundância de peixes de recife.

O Florida Coral Reef Restoration Crab Hatchery Research Center, uma instalação pioneira de 6.000 pés quadrados, abriga mais de 300 caranguejos adultos. Além disso, tem capacidade para produzir até 250.000 juvenis por ano. Os exemplares liberados passam entre três e cinco meses em cativeiro antes de atingir o tamanho adequado e superar revisões veterinárias.

caranguejo-rei
Os caranguejos-rei são chave para a saúde dos recifes.

Objetivos do projeto

O plano contempla a liberação de 35.000 caranguejos ao longo do Florida Keys National Marine Sanctuary, desde Key Largo até o oeste de Key West. A urgência é evidente: a onda de calor marinha de 2023 foi a pior registrada na história da Flórida. Houve temperaturas de até 38°C que provocaram branqueamento total em locais como Horseshoe Reef, Cheeca Rocks, Sombrero Reef e Looe Key.

Após essa catástrofe, duas espécies críticas —o coral chifre de veado e o coral chifre de alce— foram declaradas funcionalmente extintas na região. A isso se soma a doença de perda de tecido em corais pétreos, detectada em 2014, que afetou mais de 90% dos corais suscetíveis.

O programa do Mote não se limita aos caranguejos. Desde 2008 são realizados transplantes de coral, com 75% de sobrevivência mesmo após a onda de calor de 2023. Além disso, são realizados resgates de tartarugas marinhas e peixes-boi afetados por condições climáticas extremas, como ondas de frio e calor.

Filosofia do esforço

O Dr. Jason Spadaro, gerente do programa de restauração de recifes do Mote, resumiu a missão com uma frase contundente: “Agora não é o momento de desistir, agora é o momento de intensificar o trabalho”.

A liberação de caranguejos-rei caribenhos representa uma estratégia inovadora que vai além do transplante de corais. Ao reduzir a pressão das algas e favorecer a recuperação dos recifes, este projeto oferece uma esperança para um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta.

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