A América do Sul possui o maior observatório astronômico do planeta, localizado no norte do Chile. Trata-se do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), instalado no Llano de Chajnantor, a mais de 5.000 metros acima do nível do mar no deserto do Atacama.
Este complexo científico tornou-se uma referência mundial por sua capacidade de observação e pelos avanços que permitiu no estudo do universo.
ALMA: um telescópio gigante no deserto do Atacama
ALMA funciona graças à participação conjunta de 66 antenas de precisão, que operam como um único telescópio gigante. Sua localização é estratégica: a atmosfera do deserto do Atacama é ideal para captar as comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos, invisíveis para outros instrumentos.
A combinação de sinais de todas as antenas simula um telescópio com um diâmetro de até 14 quilômetros, o que lhe confere uma resolução até 10 vezes mais nítida que o Telescópio Espacial Hubble.
Entre seus feitos mais destacados estão:
- Avanços na compreensão da formação de sistemas planetários.
- Detecção de componentes químicos no universo.
- Contribuição para a primeira imagem de um buraco negro, o supermassivo da galáxia M87.
O futuro: o Telescópio Extremamente Grande (ELT)
Embora o ALMA ocupe atualmente o lugar do maior observatório do mundo, em breve será superado pelo Extremely Large Telescope (ELT), em construção no cerro Armazones, também no deserto do Atacama.
Este projeto da Organização Europeia do Sul (ESO) será o maior telescópio óptico e infravermelho do mundo uma vez operacional. Sua missão será impulsionar a pesquisa em áreas como a matéria escura, a formação de galáxias e a busca por vida em outros planetas.

Características principais do ELT
O ELT contará com um design revolucionário:
- Espelho primário: diâmetro de 39,3 metros, formado por 798 segmentos hexagonais de vitrocerâmica SCHOTT ZERODUR®, que funcionam como um único espelho de 978 m².
- Capacidade de coleta de luz: milhões de vezes mais que o olho humano, permitindo observar objetos extremamente fracos.
- Espelho secundário: convexo, de 4,25 metros, o maior já construído.
- Óptica adaptativa: o quarto espelho (M4) utiliza 8.000 atuadores que ajustam sua superfície até 1.000 vezes por segundo, corrigindo distorções atmosféricas.
- Estabilização de imagem: o quinto espelho (M5) compensa vibrações para obter imagens mais nítidas que as dos telescópios espaciais.
- Instrumentos científicos: espectrógrafos e câmeras que operarão nos espectros visível e infravermelho.
- Cúpula protetora: uma estrutura de 80 metros de altura que protegerá o telescópio das condições extremas do deserto.
Chile, capital mundial da astronomia
A combinação de ALMA e o futuro ELT consolida o deserto do Atacama como um dos lugares mais importantes do mundo para a astronomia. Seus céus limpos, a baixa poluição luminosa e a altitude o tornam um ambiente único para observar o universo com uma precisão sem precedentes.
O observatório ALMA já marcou um marco na história da astronomia, permitindo descobertas fundamentais sobre a origem da vida e a estrutura do cosmos. Com a chegada do ELT, o Chile se prepara para liderar uma nova era de exploração espacial, oferecendo à humanidade ferramentas capazes de responder perguntas sobre a matéria escura, os exoplanetas e a formação de galáxias.



