Um grupo de cientistas identificou na Tailândia uma nova espécie de dinossauro gigante de pescoço longo que já é considerada a maior encontrada até agora no Sudeste Asiático.
A descoberta, realizada a partir de fósseis descobertos há uma década na província de Chaiyaphum, também traz novas pistas sobre a relação entre o clima pré-histórico e a evolução de animais de dimensões colossais.
A espécie foi batizada como Nagatitan chaiyaphumensis e pertencia ao grupo dos saurópodes, dinossauros herbívoros de pescoço longo que dominaram diferentes ecossistemas durante milhões de anos.
Os pesquisadores estimam que o exemplar alcançava cerca de 27 metros de comprimento e um peso próximo a 27 toneladas, equivalente a nove elefantes asiáticos adultos. O estudo foi desenvolvido por especialistas da Tailândia e Reino Unido, que analisaram restos fósseis encontrados perto de um lago no nordeste tailandês.

Um gigante pré-histórico surgido de antigas terras tropicais
O Nagatitan habitou a Terra há entre 100 e 120 milhões de anos, muito antes do aparecimento do Tyrannosaurus rex. Durante esse período, o atual território do Sudeste Asiático apresentava condições ambientais muito diferentes das atuais.
Segundo os pesquisadores, a região era marcada por altas temperaturas, vegetação abundante e elevados níveis de dióxido de carbono na atmosfera, fatores que favoreceram o desenvolvimento de grandes ecossistemas herbívoros.
Além disso, a descoberta tem um valor especial para a paleontologia regional. Os restos foram encontrados em uma das formações rochosas mais recentes da Tailândia que ainda conservam fósseis de dinossauros terrestres.
Os cientistas consideram que provavelmente se trate de um dos últimos grandes saurópodes que habitaram o Sudeste Asiático antes que amplas zonas ficassem cobertas por mares pouco profundos.
O clima antigo e o tamanho descomunal dos saurópodes
O estudo também volta a focar sobre o vínculo entre as mudanças climáticas e a evolução de espécies gigantescas durante a era dos dinossauros. Os especialistas explicam que, apesar de que os corpos enormes retêm mais calor, os saurópodes conseguiram prosperar em ambientes extremamente quentes graças à abundância de vegetação disponível.
Em consequência, as elevadas concentrações de dióxido de carbono teriam impulsionado ecossistemas mais produtivos, capazes de sustentar animais de grande tamanho durante milhões de anos.
Além disso, os pesquisadores sustentam que esse tipo de descobertas permite compreender melhor como as mudanças ambientais afetam a biodiversidade e a dinâmica dos ecossistemas a longo prazo.
O caso do Nagatitan também funciona como um alerta científico em tempos de aquecimento global acelerado, já que evidencia como as variações climáticas podem transformar profundamente a vida sobre o planeta.

O que se sabe sobre esta espécie extinta?
O nome Nagatitan chaiyaphumensis combina referências culturais e geográficas do Sudeste Asiático. A palavra “naga” remete às serpentes mitológicas presentes no folclore regional, enquanto “titã” alude às gigantescas divindades da mitologia grega.
Por sua vez, “chaiyaphumensis” faz referência direta a Chaiyaphum, a província tailandesa onde foram encontrados os fósseis.
A espécie se tornou o décimo quarto dinossauro oficialmente nomeado na Tailândia, um país que concentra uma das maiores diversidades de fósseis de dinossauros da Ásia.
Atualmente, os pesquisadores continuam estudando os restos para reconstruir com maior precisão como vivia este enorme herbívoro e que características ambientais permitiram que animais de tamanho semelhante dominassem antigos cenários tropicais.



